Vivemos em sociedades em que o envelhecimento é olhado muitas vezes como um problema económico, tanto para os estados como para as famílias, de abandono e da quebra de laços que têm como consequência a destruição de redes de solidariedade e de suporte que foram apoio durante a vida ativa. Na verdade, o envelhecimento daqueles e daquelas que nos precederam põe à prova a nossa humanidade enquanto sociedade e enquanto indivíduos.
O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo oitavo depoimento do total de vinte e cinco. Pode ler aqui os depoimentos já publicados. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Foto © Centre for Ageing Better / Unsplash (transformada)
Isabel, 89 anos
Quero continuar a manter a minha autonomia física e mental, continuar mentalmente sã.
É importante, quando se envelhece, manter atividades que desenvolvam a nossa cultura e a nossa mente.
Por exemplo, enumerar e conhecer sempre melhor os países da União Europeia é um ato de cultura que não podemos esquecer.
Também temos de ouvir música, conhecer vários tipos de música, saber distinguir os vários instrumentos. E continuar a aprender.
Aqui no Lar há computadores, televisão e outras sessões. Eu posso ir á procura do que quero saber, do que quero conhecer.
Estes meios de cultura dão-nos hipóteses de desenvolver os nossos conhecimentos.
Eu quero ouvir o Carlos do Carmo, quero ouvir uma guitarrada…
Aqui podemos trocar impressões com colegas do Lar e também ir aprendendo com todos. É bom termos com quem falar e a quem falamos. Pergunto onde fica Bruxelas e o que há lá de importante. Estou disposta a ouvir.
Com a idade que tenho sou um exemplo de que aprender ajuda a manter a cabecinha.
Nos Lares podemos nunca estar sozinhas, a não ser quando queremos.










