Sou uma mulher comum, mas estou viva

| 17 Jul 2022

“Contradigo a mulher comum que sou com os caminhos esburacados que me escolheram...” Foto © Conceição Agostinho

“Contradigo a mulher comum que sou com os caminhos esburacados que me escolheram…” Foto © Conceição Agostinho

 

Alivia-me o facto de saber que sou uma mulher comum… uma daquelas cuja submissão à normalidade alegra. Sou uma mulher comum, “Ah, que alívio!”…

Sou uma mulher comum dentro de casa e dentro da vida… lavo a loiça e a roupa, zango-me com a minha filha por desarrumar a casa, grito “golooo” esganiçadamente quando o Sporting marca e depois, lá fora, sim, fora de mim, naquilo que mais me reconheço, sou estranhamente incompatível. Teimo em percorrer caminhos desconfortáveis, arrisco em teimosia os dias até às lágrimas desesperadas sem aprender jamais a aquietar-me na consequência dos sustos.

De todas as vezes que o conforto se instala, uma agonia se precipita no meu estar, uma correnteza de desânimos, um “sei lá que tenho” a devorar-me o estômago da vontade de viver.
Contradigo a mulher comum que sou com os caminhos esburacados que me escolheram, ora pois, que verdade seja dita, a arte de rua não é um caminho muito comum a homens e mulheres dos nossos dias, tampouco brincar com o fogo.

Escrever livros também não me parece a mais comum das profissões, é até quase um caminho para a fome do estômago do corpo; que o estômago da alma é outra coisa. E o teatro?? ah, o teatro… o palco, os focos afinados a milhares de voltes, a cegueira, a plateia… ah; como posso eu, sendo uma mulher tão comum do lado de dentro dos dias, abrir a porta dos mesmos e mergulhar aliviada em susto nos temporais? Ao fim de décadas continuo questionando-me sobre de onde me apareço, de onde me brota essa coisa estranha quando olho para fora do dia-a-dia… os sustos devolvem-me à vida.

Sabem onde estou hoje? Estou onde Fernão de Magalhães atracou por engano a meio da viagem… do outro lado de um oceano onde me escondo da perseguição do conforto privilegiado.

Amarrotei sem dó as minhas conquistas para se desfolharem no fundo de um qualquer caixote do lixo e resumi-me a zero, agora sei que desenharei os meus próprios pés em areias inexploradas – como dizia o poeta. Posso chorar de medo e de fome, arrastar os pés sangrentos; mas estou viva, porra, estou viva e sou uma mulher comum que, por mero cansaço, desistiu de buscar dentro de si a sanidade dos seres comuns.

 

Ana Sofia Brito é performer e artista de rua por opção, embora também mantenha a arte de palco; frequentou o Chapitô e estudou teatro físico na Moveo, em Barcelona.

 

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