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Guerra do Sudão
Necessidade de apoio após a violência do género ter quadruplicado desde o início da guerra. Foto ©UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas).

Três anos de guerra

Sudão: busca ativa de respostas para “a maior crise humanitária do mundo”

| 15/04/2026

 

No dia em que a guerra no Sudão completa três anos, várias agências das Nações Unidas emitem apelos urgentes para deter “uma catástrofe humanitária em cascata”, que afeta cerca de 34 milhões de pessoas, ou seja, perto de dois terços da população daquele país africano, que carecem de apoio urgente.

Para o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, que exerce igualmente a função de coordenador de Ajuda de Emergência, o que está a passar-se no Sudão é “a maior crise humanitária do mundo”. À medida que se aproxima a estação seca e a escassez de alimentos que traz, o risco da fome amplia-se.

Segundo informações da ONU desta quarta-feira, 15, as mulheres e as crianças constituem o alvo de maior vulnerabilidade dos confrontos entre as Forças Armadas Sudanesas e as Forças de Apoio Rápido. Além da fome e das doenças, muitas mulheres são estupradas e mortas em suas casas.

O conflito foi marcado por violência sexual horrível, sequestros e casamentos infantis, com sobreviventes lutando para ter acesso a espaços seguros ou cuidados de saúde, segundo relatos das Nações Unidas. O uso da violência sexual “foi incorporado no próprio plano da guerra no Sudão”. Calcula-se que mais de 4,3 milhões de mulheres e meninas estão deslocadas, muitas vezes totalmente isoladas das necessidades básicas de sobrevivência.

Na região do Kordofon, no centro do país, dezenas de milhares de pessoas, muitas com necessidade urgente de cuidados médicos, fogem da violência, na parte sul. Já na parte norte, profissionais de saúde do Hospital Maternidade El-Obeid descrevem condições terríveis.

Tom Fletcher refere que para prestar assistência a 20 milhões de pessoas, que é a meta para este ano, a resposta internacional ainda não conseguiu fundos suficientes.

O escritório de Direitos Humanos das Nações Unidas documenta “padrões de violações graves que podem ser consideradas crimes de guerra à luz do direito internacional”. Diante disso, o especialista reforça que “não há solução militar viável para o conflito”.

Assim, o apelo dirige-se à comunidade internacional para, com urgência, exercer pressão máxima sobre as partes envolvidas, forçando o diálogo e evitando a fragmentação total da nação africana.

 

Conferência em Berlim com atores civis do Sudão

WFP (Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas). Mãe com o seu filho a receberem cuidados na clínica de nutrição apoiada pelo PAM (Programa Alimentar Mundial) em Al Kalakla, localidade de Jabal Awlia, no sul de Cartum. Foto © WFP 

A Conferência Internacional sobre o Sudão, que será realizada em Berlim no dia 15 de abril, tem como objetivo recolocar a guerra no Sudão no topo da agenda diplomática. A presença de diversos representantes das Nações Unidas é esperada, incluindo o Chefe de Assuntos Humanitários da ONU ( OCHA ) , Tom Fletcher. O encontro está sendo organizado pela Alemanha, União Africana, União Europeia, França, Reino Unido e Estados Unidos.

Com o fim de voltar a colocar a guerra no Sudão no topo da agenda de prioridades da comunidade internacional, decorreu esta quarta feira, 15 de abril, em Berlim, uma Conferência Internacional, que foi organizado pela Alemanha, União Africana, União Europeia, França, Reino Unido e Estados Unidos, com a colaboração de várias agências do sistema das Nações Unidas.

Não se tratou de mera conferência de doadores, ainda que esse aspeto também seja de primeira importância dado que a resposta humanitária em 2025 deixou um défice superior a 2.000 milhões de dólares. Nesta iniciativa pretendeu-se combinar a diplomacia humanitária com um foco maior nas vozes da população civil sudanesa. Estava previsto que cerca de 40 representantes sudaneses participassem dessa componente civil, que muitos consideram a inovação mais importante.

Esta Conferência representou um “importante teste” para saber se as grandes potências e as instituições multilaterais se dispõem a corresponder à preocupação com recursos financeiros, coordenação e vontade política constante.

 

“Instituir um clima de paz com liderança de civis”

“O sofrimento do povo sudanês continua a aumentar em níveis inimagináveis, especialmente para mulheres e raparigas, cujas vidas e futuros estão a ser destruídos”. Foto © Site da organização “Keep Eyes On Sudan”

“O sofrimento do povo sudanês continua a aumentar em níveis inimagináveis, especialmente para mulheres e raparigas, cujas vidas e futuros estão a ser destruídos”, dizem, a propósito dos três anos de guerra em terra sudanesa e da Conferência de Berlim, a Caritas Internacional, a ACT Alliance e a Islamic Relief Worldwide, em comunicado.

“Como pessoas de fé, salientam aquelas organizações, clamamos pelo fim da violência no Sudão e instamos a comunidade internacional a garantir um cessar-fogo imediato e aplicável e a ampliar a resposta humanitária sem demora”. “Num momento de profunda instabilidade global, a defesa do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário, deve ser inegociável”, acrescentam.

Segundo aquelas ONG, a comunidade internacional deveria agir de forma decisiva no sentido de se instituir um clima de “paz liderada por civis”; “ajuda humanitária para salvar vidas”, mas assegurando, ao mesmo tempo, “a resiliência da comunidade e os esforços de construção da paz”; e, finalmente, proteção para “acabar com os ataques contra civis e infraestruturas civis e para garantir o acesso humanitário seguro, rápido e sem entraves em todo o Sudão”.

Também em sintonia com a Conferência de Berlim, realizou-se esta quarta feira, no Reino Unido, uma iniciativa paralela de 12 organizações de solidariedade unidas na “Keep Eyes On Sudan” (Fique de Olho no Sudão).

Essa participação materializou-se num encontro aberto, no qual se podia participar a distância, sob o mote “A história esquecida do Sudão”. Entre as organizações representadas, encontravam-se a Christian Aid, a Islamic Relief, um bispo episcopaliano do Sudão do Sul e o secretário geral da Comunhão Anglicana. A iniciativa foi dinamizada pela deputada trabalhista Anneliese Dodds, que lidera o Grupo Parlamentar Multipartidário para o Sudão e o Sudão do Sul, na Câmara dos Comuns.

 

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