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UnicefAdriana Zehbrauskas Crianças brincam em um espaço adequado para menores em um campo de refugiados no sul de Darfur, no Sudão
Crianças brincam num espaço adequado para menores num campo de refugiados no sul do Darfur, no Sudão. Foto © Unicef/Adriana Zehbrauskas

Doze milhões de deslocados

Sudão já é uma das piores crises humanitárias do século XXI

| 21/09/2025

 

Desde abril de 2023, quando se iniciou a guerra civil no Sudão, combates e ataques já provocaram 12 milhões de deslocados (em cerca de 50 milhões de habitantes) e pelo menos 150 mil vítimas, numa das piores crises humanitárias do século XXI.

Ataques contra civis, deslocamentos em massa, agressões sexuais, deterioração da assistência no campo da saúde e colapso dos serviços básicos continuam a assolar o Sudão, um país marcado por graves violações dos direitos humanos.

“Em agosto de 2025, a região do Darfur, de modo particular, foi testemunha de uma onda generalizada de diversas formas de violações contra civis”, afirma o último relatório sobre a situação dos direitos humanos no Sudão, elaborado pelo Centro Africano de Estudos de Justiça e Paz, e citado pela agência Vatican News.

“Esses ataques — diz o relatório — causaram deslocamentos em massa; civis tiveram dificuldade de acesso a corredores seguros; enfrentaram também uma catástrofe sanitária, com um colapso quase total na assistência à saúde. A natureza de tais violações indica que são sistemáticas, ligadas à filiação étnica, política e geográfica. Sem uma intervenção eficaz, crimes de genocídio e crimes contra a humanidade tendem a se espalhar. As violações atuais não se limitam a assassinatos diretos, mas também incluem estratégias de fome, terror em massa, deslocamentos forçados e estupros sistemáticos”.

Nas últimas semanas, as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla inglesa), grupo paramilitar que trava uma sangrenta guerra civil contra o exército, intensificaram os ataques em Al-Fashir, a última grande cidade da região do Darfur ainda controlada pelo exército regular, deixando 260 mil pessoas cercadas e sitiadas, em condições desesperadas.

O agravamento dos combates obrigou cerca de 90% dos residentes do campo de refugiados de Abu Shouk, em Al-Fashir, capital do Darfur do Norte, a tentar fugir nas últimas duas semanas, noticiou a Vatican News. As RSF também começaram a construir um muro de 30 quilómetros em torno de Al-Fashir, tornando ainda mais desesperada a situação das cerca de 260 mil pessoas que permanecem na cidade. O campo de refugiados, que já chegou a abrigar 190 mil pessoas, foi repetidamente atingido por bombardeamentos que causaram inúmeras vítimas. No final de agosto, fontes relataram que um ataque das RSF havia matado mais de 40 pessoas e destruído quase todas as fontes de água.

No último mês de março, o exército regular conseguiu recuperar a capital, Cartum, sitiada e dividida em duas fações, há dois anos. Em abril, milicianos mataram mais de 1500 pessoas num ataque brutal ao campo de refugiados de Zamzam, no Darfur: um dos piores massacres desde o início da guerra, que levou mais de 500 mil pessoas a abandonar a região, rumo a Al-Fashir, onde é grande a escassez.

Fortes inundações no centro do país somaram-se à gravíssima crise humanitária vivida no país. As fortes chuvas e inundações repentinas dos últimos dias desalojaram cerca de quatro mil pessoas e destruíram 550 casas no estado de Al-Jazirah. Muitas famílias ainda necessitam urgentemente de abrigo e de outros tipos de ajuda básica, segundo as Nações Unidas.

 

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