Suíça diz não no referendo sobre “multinacionais responsáveis”

| 29 Nov 20

Não foi avante a proposta de “acabar com as violações dos direitos humanos e a poluição do ambiente”. 

 

Uma proposta para obrigar as empresas multinacionais suíças a prestar contas pelo seu comportamento interno e no estrangeiro, no capítulo dos direitos humanos e da sustentabilidade ambiental, foi este domingo recusada em referendo.

A medida, que foi preparada ao longo dos últimos anos por uma ampla aliança de organizações não governamentais, suscitou uma grande expectativa em numerosos setores sociais, também no estrangeiro, e seria pioneira em termos mundiais.

Apesar de as sondagens terem apontado para a vitória do sim, as forças do não – organizações empresariais, partidos de direita e o governo confederal – acabaram por vencer. No resultado final, ainda que o voto popular tenha sido superior a 50%, o número de cantões que votaram contra (26) determinou a vitória do não, segundo informação da agência Swiss.info. Foram sobretudo os cantões de expressão germânica que mais declaradamente se opuseram a esta proposta de multinacionais responsáveis.

A Conferência dos Bispos Suíços (CES) e a Igreja Evangélica Reformada Suíça emitiram, em inícios de outubro, uma posição comum que vai ao encontro das preocupações com os problemas de direitos humanos e ambientais subjacentes à proposta referendada. O mesmo fez a Comissão Nacional Justiça e Paz (católica) do país.

A rejeição da iniciativa não significa, porém, o abandono total das medidas previstas na proposta referendada. Ainda de acordo com a Swiss Info, “uma contraproposta mais branda entrará automaticamente em vigor”, obrigando as empresas a relatar sobre direitos humanos e padrões ambientais e a conduzir ações em casos de suspeita de trabalho infantil e abastecimento de minerais em áreas de conflito. “No entanto, não estarão vinculadas a uma cláusula de responsabilidade”.

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos…

“A longa viagem começa por um passo”, recriemos… novidade

Inicio o meu quarto ano de uma escrita a que não estava habituada, a crónica jornalística. Nos primeiros três anos escrevi sobre a interculturalidade. Falei sobre o modo como podemos, por hipótese, colocar as culturas moçambicanas e portuguesa a dialogarem. Noutras vezes, inclui a cultura judaica, no diálogo com essas culturas. De um modo geral, tenho-me questionado sobre a cultura, nas suas diferentes manifestações: literatura, costumes, comportamentos sociais, práticas culturais, modos de ser, de estar e de fazer.

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This