Conheci uma cidade, num país e com um povo cheio de esperança, mesmo que em estado de alerta. A guerra na Ucrânia começou, para nós, há pouco mais de três meses. Para eles, nunca acabou.
Conheci uma cidade, num país e com um povo cheio de esperança, mesmo que em estado de alerta. A guerra na Ucrânia começou, para nós, há pouco mais de três meses. Para eles, nunca acabou.
Relembro os Pais que perderam filhos, e todos os filhos sem Pai. Alguns são meus amigos, e mesmo aos que não são, desejo ardentemente que fosse possível, com um abraço, dividir com eles o pesado fardo do vazio. Trago à memória os Pais em guerra. Os que não conheço, mas sei, que se metem com os filhos em barcos, porque qualquer futuro é melhor do que um passado de violência, mesmo que isso signifique afundar o presente no mar da travessia mediterrânica. Os que entregam os filhos ao violento destino de matar ou morrer por razões que só um irracional conhece.
Num artigo publicado no Ponto SJ, o portal dos Jesuítas em Portugal, com o título “O marxismo não é para católicos”, o padre Nelson Faria faz a crítica do marxismo como uma ideologia “assente na inevitabilidade do conflito”, que nos arrasta “para um perpetuar do conflito”. Ao ler este destaque, que aparece junto ao título e num dos últimos parágrafos, poderíamos julgar que, ao contrário do que o título sugere, o artigo seria um ensaio positivo e construtivo sobre uma Igreja que é para todos e para todas. Mas não.
Ainda antes de acabar o curso fui à minha primeira entrevista de trabalho “a sério”, numa produtora de filmes num bairro trendy de Lisboa. Roubei um dia à escrita da tese de mestrado, apanhei o comboio e lá fui eu, tão nervosa quanto entusiasmada. O dono começou por me perguntar se fazer cinema era o meu sonho. Fiquei logo sem chão. Sofri, desde muito cedo, de um mal que me acompanha até hoje: sonhava demais e muitos sonhos diferentes.
Um dia, ao falarmos sobre um momento particularmente marcante da minha conversão, disse-me assim o meu Avô: “Filha, é só saber olhar: até na morte há beleza”. Se bem o disse, melhor o fez, pois morreu uns anos mais tarde, num triste Setembro belo, dando lugar a uns dos mais bonitos dias tristes da minha vida.
Há tanto que me vem à cabeça quando penso em Jorge Sampaio. Tantas ocasiões em que o seu percurso afetou e inspirou o meu, quando era só mais uma adolescente portuguesa da primeira geração do pós-25 de Abril à procura de referências. Agora, que sou só uma adulta que recusa desprender-se delas, as memórias confundem-se com valores e os factos com aspirações.
Quando, há dias, comecei a pensar nesta contribuição, estavam em cima da mesa vários temas importantes, urgentes e vitais: o clima que samba na cara das inimiga’ na Europa Central; Israel que tenta mudar a agulha da agenda mediática para os estudos sobre vacinas, para esconder a aplicação continuada das suas políticas colonialistas sobre o povo palestiniano; ou as últimas detenções ligadas a processos de corrupção.
Este ano, o tema do Dia Mundial dos Refugiados, celebrado no passado domingo, 20 de Junho, foi “Juntos superamos, aprendemos e brilhamos”. Trouxe-me à memória o slogan da primeira grande campanha da PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados, que é também o princípio da Cantata de Paz de Sophia: “Vemos, ouvimos e lemos, Não podemos ignorar.” E, depois, a exortação do Papa Francisco na carta Fratelli Tutti: “acolher, proteger, promover e integrar.”
Conheci uma cidade, num país e com um povo cheio de esperança, mesmo que em estado de alerta. A guerra na Ucrânia começou, para nós, há pouco mais de três meses. Para eles, nunca acabou.
Relembro os Pais que perderam filhos, e todos os filhos sem Pai. Alguns são meus amigos, e mesmo aos que não são, desejo ardentemente que fosse possível, com um abraço, dividir com eles o pesado fardo do vazio. Trago à memória os Pais em guerra. Os que não conheço, mas sei, que se metem com os filhos em barcos, porque qualquer futuro é melhor do que um passado de violência, mesmo que isso signifique afundar o presente no mar da travessia mediterrânica. Os que entregam os filhos ao violento destino de matar ou morrer por razões que só um irracional conhece.
Num artigo publicado no Ponto SJ, o portal dos Jesuítas em Portugal, com o título “O marxismo não é para católicos”, o padre Nelson Faria faz a crítica do marxismo como uma ideologia “assente na inevitabilidade do conflito”, que nos arrasta “para um perpetuar do conflito”. Ao ler este destaque, que aparece junto ao título e num dos últimos parágrafos, poderíamos julgar que, ao contrário do que o título sugere, o artigo seria um ensaio positivo e construtivo sobre uma Igreja que é para todos e para todas. Mas não.
Ainda antes de acabar o curso fui à minha primeira entrevista de trabalho “a sério”, numa produtora de filmes num bairro trendy de Lisboa. Roubei um dia à escrita da tese de mestrado, apanhei o comboio e lá fui eu, tão nervosa quanto entusiasmada. O dono começou por me perguntar se fazer cinema era o meu sonho. Fiquei logo sem chão. Sofri, desde muito cedo, de um mal que me acompanha até hoje: sonhava demais e muitos sonhos diferentes.
Um dia, ao falarmos sobre um momento particularmente marcante da minha conversão, disse-me assim o meu Avô: “Filha, é só saber olhar: até na morte há beleza”. Se bem o disse, melhor o fez, pois morreu uns anos mais tarde, num triste Setembro belo, dando lugar a uns dos mais bonitos dias tristes da minha vida.
Há tanto que me vem à cabeça quando penso em Jorge Sampaio. Tantas ocasiões em que o seu percurso afetou e inspirou o meu, quando era só mais uma adolescente portuguesa da primeira geração do pós-25 de Abril à procura de referências. Agora, que sou só uma adulta que recusa desprender-se delas, as memórias confundem-se com valores e os factos com aspirações.
Quando, há dias, comecei a pensar nesta contribuição, estavam em cima da mesa vários temas importantes, urgentes e vitais: o clima que samba na cara das inimiga’ na Europa Central; Israel que tenta mudar a agulha da agenda mediática para os estudos sobre vacinas, para esconder a aplicação continuada das suas políticas colonialistas sobre o povo palestiniano; ou as últimas detenções ligadas a processos de corrupção.
Este ano, o tema do Dia Mundial dos Refugiados, celebrado no passado domingo, 20 de Junho, foi “Juntos superamos, aprendemos e brilhamos”. Trouxe-me à memória o slogan da primeira grande campanha da PAR – Plataforma de Apoio aos Refugiados, que é também o princípio da Cantata de Paz de Sophia: “Vemos, ouvimos e lemos, Não podemos ignorar.” E, depois, a exortação do Papa Francisco na carta Fratelli Tutti: “acolher, proteger, promover e integrar.”
Mensagem da CEP
Bispos querem uma “nova era missionária” e apontam Portugal como “terra de missão” novidadeA Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) considera que o centenário do Dia Mundial das Missões, que a Igreja celebrará no próximo dia 18 de outubro, deve ser ocasião para renovar o compromisso missionário e reconhecer que a missão não acontece apenas em terras distantes.
Esta terça-feira, 7 outubro
“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidadeA Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.
[Entre Margens]
Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidadeNão sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].
[Entre o quadro e o mundo (31)]
Como pode a escola construir pontes num mundo de muros? novidadeO novo episódio do podcast Entre o Quadro e o Mundo parte da metáfora da ponte para pensar o papel da escola num tempo marcado pela polarização, pelas diferenças culturais e geracionais e pela crescente presença da inteligência artificial.
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