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Avó, mete mais um prato na mesa do céu

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  Esta manhã fui levar a roupa suja à lavandaria, levava fones ligados, com o podcast de poesia - é a única maneira de conseguir andar nas avenidas de Copacabana sem me deixar estrangular pela confusão - ouço poesia e gente que fala de poesia, como se...

Saudade

Saudade

A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

Quando a memória começa a faltar-nos

Quando a memória começa a faltar-nos

Há uma altura da nossa vida em que aparecem as falhas de memória. E começamos a recorrer a recordações colectivas, perguntando aos nossos amigos: quando foi? quem era? como se chamava? quem esteve presente? e outras questões do mesmo tipo. Esta perda angustia-nos e preocupa-nos, não só porque as recordações do passado são parte determinante do presente que somos, mas também porque gastamos tempo a lembrar autores e teorias que esquecemos, a procurar coisas que perdemos, a reconstituir episódios e datas importantes que devíamos ter presentes. No entanto, há vantagens no esquecimento para o equilíbrio psíquico de todo o ser humano.

Que memórias guardamos da pandemia?

Que memórias guardamos da pandemia?

Ao pensar nas memórias desta pandemia o que me vem à ideia em primeiro lugar é a ausência – ausência de gente pois estarmos circunscritos ao núcleo reduzido dos familiares mais próximos; ausência do toque e do abraço, que devemos conter por razões profiláticas; ausência de amigos de carne e osso, gente com quem possamos conversar cara a cara ou em grupo sem necessidade de recorrer às redes sociais para falar do que sentimos, do modo como nos pesa a solidão, das alegrias e dos desgostos, partilhando as pequenas desgraças e felicidades do dia a dia.

Casas. Duas memórias.

Casas. Duas memórias.

E o sacrário da casa, o quarto da minha avó, onde ela se refugiava e onde, aí, a minha mãe tinha absoluta primazia. Completo prazer, interação secreta e apaixonada entre ela e a mãe. Era a única filha – talvez por ser a mais velha, mas acho que não era só por isso – que tratava a mãe, pela doçura dessa expressão em português: “minha mãe”, “ó minha mãe”.

Avó, mete mais um prato na mesa do céu

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Saudade

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A saudade é a estranha penumbra desabotoada no gélido crepúsculo da memória. Acontece quando os odores se desfazem e os timbres deixam de ecoar;
essa é a saudade.

Nós somos porque eles foram. E nós seremos nos que vierem a ser.

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A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

Quando a memória começa a faltar-nos

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Há uma altura da nossa vida em que aparecem as falhas de memória. E começamos a recorrer a recordações colectivas, perguntando aos nossos amigos: quando foi? quem era? como se chamava? quem esteve presente? e outras questões do mesmo tipo. Esta perda angustia-nos e preocupa-nos, não só porque as recordações do passado são parte determinante do presente que somos, mas também porque gastamos tempo a lembrar autores e teorias que esquecemos, a procurar coisas que perdemos, a reconstituir episódios e datas importantes que devíamos ter presentes. No entanto, há vantagens no esquecimento para o equilíbrio psíquico de todo o ser humano.

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Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

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