
Busto de Teilhard de Chardin no Museu Nihewan da China com vista para o grande vale onde o Pe Jesuíta fez escavações. Foto © Frank e Mary Frost, responsáveis pelo documentário. (National Catholic Reporter)
“Teilhard: Visionary Scientist” é o título de um trabalho audiovisual de largo fôlego que vai ser emitido dentro de dias nos Estados Unidos da América, no qual se apresentam e refletem as múltiplas facetas do padre jesuíta Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955).
O casal Mary e Frank Frost, que produziu o trabalho, reuniu mais de 200h de vídeo, recolhidas em sete viagens de preparação e estudo e outras tantas de gravação, durante as quais entrevistaram 30 especialistas em vários países, entre os quais a China, onde Teilhard fez grande parte das suas investigações geológicas e paleontológicas e escreveu alguns dos seus trabalhos.
O resultado de todo este percurso é um documentário de 120 minutos, que responde a dois objetivos: apresentar uma narrativa sobre o percurso biográfico deste místico, cientista e visionário que marcou o séc. XX; e dar conta de alguns aspetos relevantes do pensamento teilhardiano (como, por exemplo, a ideia de noosfera, que tem sido redescoberta em décadas recentes), através de quem estudou e desenvolveu os contributos de Teilhard.
O documentário “Teilhard: Visionary Scientist” estreia no canal do PBS (Public Broadcasting Service) de Maryland no domingo, 19 de maio, às 16h e, a partir do dia seguinte, será possível visionar o streaming na aplicação gratuita do PBS.
O jornal National Catholic Reporter (NCR), que entrevistou a produtora Mary Frost e publicou uma desenvolvida peça sobre este acontecimento cultural, recorda que Teilhard de Chardin “acreditava na evolução e, ao morrer, continuou a acreditar que o mundo ainda estava ‘a transformar-se’ sob a ação criativa de Deus. Embora a sua influência no Concílio Vaticano II esteja bem documentada, qualquer pessoa que tenha lido e estudado a Laudato Si – sobre o cuidado da casa comum reconhecerá o elevado respeito que o próprio Papa Francisco tem pela visão de Deus de Teilhard, o respeito pela criação e pela transformação mediante o poder do amor”.
O jornal recorda a controvérsia e penalização que suscitaram entre os responsáveis da Igreja Católica vários escritos deste autor. “Quando – refere o NCR – tentou conciliar ciência e fé questionando se a humanidade descendia de Adão e propôs outra forma de o pecado original ter entrado no mundo, foi obrigado a declarar aceitar seis pontos de doutrina”, sob pena de poder ser expulso da Companhia de Jesus. “Embora tenha afirmado os ensinamentos, perdeu a posição de professor e foi exilado para a China, onde trabalhou como paleontólogo (e [onde] ainda hoje é reverenciado)”, conclui o artigo.
Os problemas com a Cúria Romana continuaram em torno de várias das suas obras de carater teológico, como O Meio Divino ou O Fenómeno Humano e, ainda em 1962, já no Pontificado de João XXIII, afirmava-se que, com exceção dos escritos sobre as “ciências positivas”, os seus trabalhos teológicos continham “ambiguidades” e “até erros graves, que ofendem a doutrina católica”. Embora essas obras nunca tenham sido colocadas no Index de livros proibidos, enquanto ele existiu, as bibliotecas de seminários e institutos religiosos e mesmo as livrarias católicas não deveriam disponibilizá-los, sobretudo aos mais novos.
Mais tarde, vários teólogos, entre os quais Henri de Lubac e Ratzinger (mais tarde eleito Papa, sob o nome de Bento XVI, contribuiriam para a valorização de muitos dos contributos de Pierre Teilhard de Chardin.









