A Secretaria-Geral do Sínodo da Igreja Católica publicou esta segunda-feira, 17 de novembro, os relatórios preliminares dos dez grupos de estudo (GE), criados por decisão do Papa Francisco, em março de 2023, para aprofundar temas específicos que não puderam ser tratados com tempo e pormenor, durante a primeira assembleia do Sínodo dos Bispos.
A estes relatórios juntam-se dois específicos – o da Comissão sobre a Reforma do Direito Canónico e o da Comissão SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar, da sigla em inglês) sobre poligamia. Ultimamente, o Papa Leão XIV acrescentou outros dois novos grupos, já previstos no Documento Final (DF) do Sínodo: um, que já entrou em funcionamento no final de julho deste ano, sobre “A liturgia em perspetiva sinodal” (DF, 27) e outro, ainda não constituído, sobre “O estatuto das conferências episcopais, das assembleias eclesiais e dos concílios particulares” (DF, 124-129).
Ao contrário do que se poderia esperar, dados os sucessivos adiamentos das conclusões destes grupos, os relatórios apresentados pouco adiantam de substancial, limitando-se, em geral, a dar conta do andamento dos trabalhos, a descrever o método seguido, incluindo as consultas feitas e as respostas recebidas, e, em alguns casos, a organização que terá o relatório final.
Alguns dos atrasos decorreram, segundo uma nota do cardeal Mario Grech, secretário da Secretaria-Geral do Sínodo, da “riqueza e complexidade de muitos dos temas que foram confiados” aos diferentes grupos, mas também da morte de Francisco e da eleição de um novo Papa. Leão XIV viria a dar luz verde à dinâmica lançada pelo seu predecessor, alargando o prazo até final de dezembro próximo. Mas alguns dos GE já anunciaram que só conseguirão entregar o seu trabalho nos meses seguintes, sem especificar uma data.
É o caso do GE nº 5, sobre “Algumas questões teológicas e canónicas relacionadas com formas ministeriais específicas”, que compreende o tema específico da participação das mulheres na vida e na liderança da Igreja.
Este trabalho está a ser feito pelo Dicastério para a Doutrina da Fé e foi já tema de polémica na assembleia final do Sínodo dos Bispos, decorrente do facto de o prefeito, o cardeal Victor Fernández, ter sido o único coordenador de grupos de estudo a não entregar o relatório a tempo o seu relatório aos membros sinodais, tendo enviado dois colaboradores. Desta vez, o Dicastério apresenta um relatório em que refere um significativo trabalho de recolha e avaliação de um “vasto material” sobre o tema das mulheres, quer enviado espontaneamente quer solicitado pelo grupo.
O relatório final deste GE 5 tem já uma estrutura bem definida e – refere o relatório agora divulgado – “a questão do acesso das mulheres ao diaconato merece uma menção especial”, recordando que durante a segunda sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco “reativou os trabalhos da segunda Comissão de Estudos sobre o diaconato feminino, que ele havia criado alguns anos antes”. Por isso, acrescenta o texto, “todas as contribuições resultantes dos trabalhos do Sínodo e relacionadas com o tema em questão foram encaminhadas a essa Comissão”. Acontece que este organismo está fora desta dinâmica e, que se saiba, não tem prazo para apresentar conclusões.
Os relatórios preliminares sobre outros temas, como o grito dos pobres, a revisão do documento normativo da formação nos seminários (Ratio fundamentalis), o discernimento compartilhado de questões doutrinais, pastorais e éticas controversas ou o ecumenismo nas práticas eclesiais, entre outros, podem ser consultados em inglês ou italiano.










