A única homilia que lembro de quando era criança é a de um domingo, no principio de verão, em que recomeçava o “Tempo Comum” [da liturgia católica].
O celebrante explicou longamente o significado dos paramentos de cor verde próprios deste tempo litúrgico.
Falou da tranquilidade dos campos onde se pode descansar, do verde dos relvados do futebol onde se passam momentos de jogo e diversão, da frescura da sombra das árvores, de como em muitas pinturas a cor verde proporciona uma certa paz, e falou da Esperança que também se veste de verde.
Comparou este tempo, que decorre entre o Tempo Pascal e o Advento, a um ribeiro tranquilo que vai deslizando por entre margens verdes, enquanto descansamos da roda viva de sentimentos que o ano litúrgico nos proporciona e os vamos assimilando e transformando em vida.
Lembro-me que saí da missa feliz e querendo saber mais sobre o significado das cores do ano litúrgico.
Neste domingo (22 de junho), em que também recomeçou o Tempo Comum de 2025, lembrei-me dessa homília tão longínqua mas tão marcante e pensei de novo no itinerário colorido do ano litúrgico.
Começa com o Advento, de cor roxa. Tempo de espera e vigilância.
Segue-se a alegria esfusiante do Natal e Epifania, de cor branca, celebrando o Deus que veio habitar entre nós.
Depois de um primeiro “Tempo Comum”, verde, chega a roxa Quaresma, tempo de austeridade e que nos dizem dever ser de mudança de vida e de atitudes, de “conversão”.
Passado esse tempo algo longo e pesado, chega o ponto mais alto e solene do ano, em que fazemos memória da Paixão e Morte de Jesus, seguida do espanto da Ressurreição, o Tempo Pascal, com a sua cor branca, celebrado em alegria durante quarenta dias. Vem depois a Ascensão com o aviso tranquilo de Jesus, de que embora não O vejamos, ficará sempre connosco.
E para podermos alcançar alguma compreensão e aceitação de todos estes “mistérios” vem o Espírito Santo. É o Tempo de Pentecostes, de cor vermelha, cor das línguas de fogo enviadas sobre os apóstolos, que os encheram de coragem e de ânimo para continuarem a viver e comunicar a todos aquilo que tinham aprendido com Jesus.
Chega-se, por fim, a este segundo “Tempo Comum” cor da Esperança. No nosso hemisfério coincide com o verão e outono, para muitos tempo de descanso, e tempo de maior calma litúrgica no qual vamos ouvindo e lembrando como Jesus na sua vida curou, ensinou, libertou, acolheu, perdoou, consolou. Amou.
Que bom seria que este ano o “Tempo Comum” pudesse ser mesmo um Tempo de Esperança.

Ilustração do catecismo “Nascer de Novo?” pag 40/41
Lucy Wainewright










