Migrantes às portas da UE

Tensão e acusações crescem entre a Polónia e a Bielorrússia

| 10 Nov 21

Foto de arquivo de soldados bielorrussos na fronteira com a Polónia. Com milhares que se aglomeram na fronteira, a chegada do inverno preocupa organizações humanitárias, com escalada entre os dois países. Foto © RIA Novosti archive, image #1047080 / Egor Eryomov / CC-BY-SA 3.0, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

 

Com as temperaturas a descer abaixo de zero, três a quatro mil migrantes têm vindo a concentrar-se junto à fronteira da Bielorrússia com a Polónia e, em menor escala, com a Lituânia, na mira de romperem as barreiras de arame farpado e entrarem no espaço europeu.

Segundo as autoridades polacas e a confirmação da Comissão Europeia em Bruxelas, o regime de Lukashenko tem vindo a conceder vistos especiais de turismo a candidatos à emigração para viagens de avião do Iraque para Minsk, capital da Bielorrússia, encaminhando-os, posteriormente, para as fronteiras da União Europeia (UE). Isso é confirmado por migrantes que conseguiram passar para o espaço comunitário.

Para além das muitas centenas ou mesmo milhares – os números não coincidem – que se acumulam junto à fronteira, muitos mais estarão em trânsito, no território bielorusso. 

Para procurar conter a situação cada vez mais tensa, o governo lituano decretou o estado de emergência que dá mais poderes às forças policiais. Por sua vez, o governo polaco colocou ao longo da fronteira perto de 11 mil militares, que têm intervindo pontualmente, para impedir que grupos de migrantes, pressionados na retaguarda por militares bielorussos, rompam a fronteira de arame farpado. 

“O risco de um incidente entre os dois lados é muito elevado. Basta um disparo fortuito ou gás lacrimogéneo atirado para os pés dos soldados do lado oposto para que as palavras se transformem em ações”, escrevia esta terça-feira o jornal italiano Avvenire. 

Este jornal refere que “Varsóvia acusa o exército bielorrusso de fornecer o equipamento necessário para romper a vedação. Mas Minsk responde acusando a Polónia de ‘desumanidade’, a qual de facto suspendeu o procedimento de pedido de asilo”. Os migrantes são o mexilhão do ditado popular (“quando o mar bate na rocha…”).

A troca de acusações entre as duas partes está a subir de tom. A União Europeia acusa o regime bielorusso de estar a instrumentalizar os migrantes e a empurrá-los para o espaço comunitário como forma de retaliar pelas sanções comunitárias de que tem sido objeto, pela sua política repressiva dos direitos humanos mais elementares.

Por sua vez, Lukashenko recusa as acusações e diz que a zona militarizada que a Polónia definiu ao longo da fronteira ou é “treino militar” ou é chantagem”. Segundo relata o diário britânico The Guardian, depois de ter anunciado uma conversa com o aliado Putin, nesta segunda-feira, Lukashenko vai ameaçando com uma eventual intervenção russa, no caso de a situação explodir: 

 “Não estamos a intimidar… Porque sabemos que se, Deus nos livre, cometermos algum erro, se tropeçarmos, isso atrairá imediatamente a Rússia para este redemoinho e esta é a maior potência nuclear”.

 

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