Terras sem Sombra (des)encantou tesouros em Monsaraz

| 2 Mar 19 | Cultura e artes, Destaques, Últimas

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Lagoa sobrelotou para aplaudir a música tardo-romântica, num concerto protagonizado pelo Trío Arbós, um dos mais reputados ensembles de câmara europeus da atualidade. No Museu do Fresco contou-se a misteriosa história por detrás da obra-prima do fresco do Bom e do Mau Juiz. Um fim-de-semana, feito de sons e matizes, para contemplar paisagens da região, na serenidade das águas do Grande Lago Alqueva.

Os participantes, de mapas na mão, partiram numa caça ao tesouro… (Foto: Direitos reservados)

 

Erguida num Alentejo próximo do céu, suspensa no tempo, a vila-museu de Monsaraz, feita de xisto e cal, que parece sussurrar histórias do tempo dos reis, por entre o eco dos passos de quem a visita, foi palco de três atividades ímpares.

Na sua 15ª edição, o festival itinerante do Alentejo continua a unir música, património cultural e biodiversidade. Desta vez, a 23 e 24 de Fevereiro, em Reguengos de Monsaraz.

O diretor-geral do festival, José António Falcão, justifica a estreia da localidade no Terras sem Sombra: “O nosso objetivo é conseguir que a região seja protagonista de um destino de arte e natureza.” O festival tem procurado atenuar o fosso entre as comunidades periféricas e os centros de acesso mais facilitado à música, contribuindo para levar programação de elevada qualidade às populações locais. Para a organização, é gratificante que o festival se tenha tornado num evento ibérico. A ligação com Espanha tem sido uma constante desde o início. Como fruto desse trabalho conjunto, o festival, que se realiza entre Janeiro e Julho, passa este ano, pela primeira vez, em Valencia de Alcántara (Cáceres) e Olivença (Badajoz).

 

Fusão do tardo-romântico com o fado e o flamenco

O Trio Arbós, num dos momentos do concerto (Foto © Direitos reservados)

 

A Igreja Matriz de Monsaraz acolheu, numa noite de sábado sobrelotada, o concerto A Ordem Natural das Coisas: Música Espanhola e Portuguesa dos Finais do Século XIX, protagonizado pelo Trío Arbós, um dos mais consagrados ensemble de música câmara da actualidade. A música tardo-romântica ecoou num contraste harmonioso com o silêncio noturno da antiga praça da vila. O concerto inaugurou a Mostra Espanha 2019, ciclo de eventos de cultura do país vizinho em Portugal.O trio interpretou três fados originais de Alexandre Rey Colaço. Foi ao som do animado “Buleriando”, de Moraíto Chico, embaixador do flamenco, que o trio se despediu depois de uma atuação rica e intimista, que arrancou à plateia um genuíno e caloroso coro de aplausos.

Maria Mendonça, espectadora assídua do festival, que veio de Beja, repetia: “Muito bom, muito bom, muito bom! Não consigo dizer de outra maneira, foi mesmo muito original e muito diferente do habitual.” Vinda de Moura, também no Baixo Alentejo, Isabel Correia confessou ter ficado maravilhada com a originalidade e riqueza do espetáculo: “Excepcional, principalmente por causa do fado.”

Sara Nucifora, jovem italiana a viver em Reguengos de Monsaraz há seis meses, assistiu pela primeira vez a um concerto do Terras sem Sombra e também não escondeu o encanto: “Muito bonito. Gosto de música ao vivo em geral, mas aqui o cenário é muito diferente, acrescenta qualquer coisa mais… há assim uma espécie de magia.”

A programação é minuciosamente desenhada pela mão de Juan Angel Del Campo, ensaísta e reputado crítico musical do El País.De espectador atento e dedicado do Terras Sem Sombra, tornou-se seu director artístico em 2015, cargo que exerce com enorme paixão. O alargamento territorial do festival quer no Alentejo, quer, primeira vez, a território espanhol – com dois concertos em duas localidades da raia que celebram a cultura ibérica –, a que se junta a inclusão dos Estados Unidos da América como país convidado, são as três razões que levam o diretor-artístico a afirmar que a edição deste ano “reforça a amplitude viajante do festival, que se alargou grandemente, sem, no entanto, ter perdido a sua essência, as suas raízes”.

 

A misteriosa história do Bom e do Mau Juiz

O fresco do Bom e do Mau Juiz, uma história de mistérios (Foto: Direitos reservados)

 

Se as raízes são a música, o Terras sem Sombra está também ligado ao património cultural, arquitectónico e artístico. A presença do festival em Monsaraz passou igualmente por um olhar atento a um dos maiores tesouros patrimoniais da localidade: a pintura mural que encerra uma história misteriosa e única em Portugal, o fresco do Bom e do Mau Juiz. Uma obra de arte ímpar no país, “única de assunto profano existente entre nós”, escreveu Túlio Espanca, em 1978.

O fresco foi casualmente descoberto em 1958, no decorrer de obras de requalificação nos antigos Paços da Audiência. Percebeu-se que se tratava de algo precioso e o achado mereceu destaque nas primeiras páginas dos jornais. Seguiu-se uma campanha de restauro, mas o real valor só viria perceber-se mais tarde, quando especialistas chegaram à conclusão de que o tema – alusivo à justiça divina e terrena – é não só um caso único em Portugal (não existe outra alegoria à justiça, num edifício civil, na arte portuguesa), como apenas tem paralelo em Itália, nos frescos do Palácio Comunal de Siena, no painel pintado por Ambroggio Lorenzetti sobre a Alegoria do Bom e do Mau Governo de Siena, entre 1338 e 1340.

O fresco, obra-prima com merecido protagonismo no atual Museu do Fresco, reproduz o cânone das iluminuras. De autor desconhecido, é uma alegoria às justiças divina e terrena. Composto por dois painéis sobrepostos, representa, em cima, a justiça de Deus: o Cristo Pantocrator, supremo juiz, assente no globo terrestre com a inscrição UROPA, ladeado por anjos músicos, indicando o Alfae o Ómega, simbolizando o Princípio e o Fim dos Tempos, numa cena que remete para o Juízo Final.

No painel inferior, retrata-se a justiça humana e é aí que se encontram as figuras do bom e do mau juiz, acompanhados por figuras comuns num julgamento civil. À esquerda, ladeado por dois anjos, o bom juiz mimetiza a posição de Cristo e olha para diante, enquanto aponta para o acusado e segura a vara reta da justiça. À direita, está o mau juiz (com duplo rosto e a vara de justiça quebrada), ladeado por duas figuras: uma suborna-o com moedas e a outra com perdizes. Nas cátedras, representam-se a misericórdia (juiz íntegro) e a perversão (um demónio junto do juiz corrupto).

A obra terá sido pintada em 1498 ou 1499, explicava Ana Paula Amendoeira, historiadora e actual directora regional da Cultura do Alentejo. Para se desvendar esse e outros mistérios da obra feita a mando de D. Jaime, 4º duque de Bragança, é preciso recuar no tempo: em 1483, reinava D. João II e, diante da sua política de centralização, muitos nobres se insurgiram. Entre eles, D. Fernando II, 3º duque de Bragança e cunhado do rei, contra quem terá conspirado, procurando aliados em Castela, que foi julgado, condenado à morte e executado em Évora a 20 de junho de 1483.

O julgamento onde se ditou a sentença, contou Ana Paula Amendoeira, decorreu, em Évora, numa sala que D. João II mandou decorar com uma série de pinturas alusivas à lenda da justiça de Trajano. O imperador romano, recordou a historiadora, “saía para uma campanha quando foi abordado por uma senhora que lhe pediu que fizesse justiça a um criminoso. O imperador disse-lhe que o faria no seu regresso, mas ela disse-lhe que poderia morrer e nesse caso não se poderia realizar o julgamento; por isso resolve julgar ali o criminoso. Sucede que o criminoso era o próprio filho de Trajano mas, mesmo assim, o imperador não recuou e condenou-o à morte”.

É a simbólica da justiça isenta e cega inspirada nessa lenda que D. João II escolhe e pretende mostrar com os painéis colocados na sala em Évora, para o julgamento do seu cunhado. D. Fernando II não esteve presente na audiência mas enviou um procurador que se insurgiu contra o facto de o rei fazer parte do coletivo de 21 juízes que compunham o tribunal, uma vez que era parte interessada.

D. Fernando foi executado na Praça do Giraldo, em Évora e os bens da Casa de Bragança confiscados. Os filhos do duque, ainda crianças, foram levados para Castela, onde cresceram.

Quando D. Manuel ascendeu ao trono, anulou a sentença e reabilitou a Casa de Bragança. D. Jaime, já adulto, regressou a Portugal como duque de Bragança e torna-se próximo do rei, de tal forma que este – já casado mas ainda sem descendência – o nomeia seu herdeiro.

Segundo Ana Paula Amendoeira, é isso que leva os historiadores a defender que a obra terá sido elaborada entre 1498 e 1499: já fora da orla que circunda os dois painéis, é possível observar o brasão de armas da Casa de Bragança mas com as armas do Reino de Portugal: só em 1498 o rei concedeu esse privilégio ao ducado.

D. Jaime, 4ºduque de Bragança, pretendeu com o fresco reabilitar a memória do pai e lembrar que a justiça nem sempre é cega. Fê-lo na sala de julgamentos dos antigos Paços da Audiência de Monsaraz, por ter sido o alcaide desta localidade que o levou, em criança, para Castela após o julgamento de Évora.

 

A paisagem e as águas do Grande Lago e um festival viajante

Como também é habitual no festival, a manhã de domingo, dia 24, foi consagrada a uma atividade de salvaguarda da biodiversidade, com o desafio de “Interpretar a Paisagem: Reguengos de Monsaraz e o seu Hinterland”. O grupo de participantes, mapas na mão e olhos na paisagem, partiu à descoberta, sob a orientação dos geógrafos Teresa Pinto Correia e José Muñoz-Rojas, que desafiavam os participantes a uma “caça ao tesouro”.

A iniciativa pretendeu identificar e explicar as principais mudanças paisagísticas ocorridas no concelho nos últimos anos, nas áreas da vinha, do olival e com o impacto da albufeira de Alqueva – o maior lago artificial da Europa.

Teresa Pinto Correia salientou a importância de olhar para a paisagem como um sistema em permanente mudança e de tomar em consideração a questão da qualidade da paisagem como bem público. “A paisagem do Alentejo é maravilhosa e vai continuar a ser durante muito tempo, mas há ameaças: uma das maiores é a questão das mudanças muito rápidas na utilização dos recursos, nos sistemas de produção, sem haver uma perspectiva de integração territorial”, alertou.

A geógrafa chamou ainda a atenção para a necessidade de “perceber que a degradação da paisagem não é apenas uma questão do declínio da sua beleza, mas acima de tudo de bem-estare de fonte de muitas atividades económicas, que é importante preservar”. Por isso, é essencial conjugar esforços no sentido de se ter uma perspectiva de integração da casa-comum.

Visita ao Cromeleque dos Almendres: “O festival tem raízes ancoradas numa tradição de espiritualidade do território” (Foto: Direitos reservados)

 

A este propósito, José António Falcão referiu que “não é possível escamotear a mensagem de fundo do festival que tem raízes claramente ancoradas numa tradição de espiritualidade do território.” Este é um festival de causas claramente alinhado com o Papa Francisco e a sua encíclica Laudato si’.

A próxima paragem do Terras sem Sombra marca a estreia em Espanha (9 e 10 de Março, em Valencia de Alcántara, Cáceres). O programa contempla o concerto “Navegar es necesario: Charles Ives, Bruno Soeiro e W. Y. Mozart” pela Orquestra Clássica do Sul e Tejo Internacional, dirigida pelo maestro Rui Pinheiro, na Igreja de Nuestra Senora de Rocamador; uma actividade patrimonial ligada ao megalitismo (“Piedras que hablam: Paisages megalíticas de la Región de Alcántara) e um olhar sobre as águas do Tejo internacional, Avifauna e a Biodiversidade.

O festival passará ainda por Olivença (Badajoz), Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines. “Sobre a Terra, Sobre o Mar – Viagem e Viagens na Música” é o mote da edição deste ano, na qual se celebram os 550 anos do nascimento do sineense Vasco da Gama e os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães. Mais informações sobre a programação completa estão disponíveis aqui.

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Nov
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Colóquio internacional Teotopias – Sophia, “Trazida ao espanto da luz” @ Univ. Católica Portuguesa - Polo do Porto
Nov 8@09:00_19:30

Fundacional para a percepção e expressão do mistério, a linguagem poética é lugar de uma articulação paradoxal, nada acrescentando à representação descritiva do mundo [Ricoeur]. Encontrando-se o positivismo teológico em crise, paradigma que sempre cedeu demasiado à obsessão pela verdade, tem-se vindo a notar um crescente interesse pelo estudo teológico de produções literárias como lugares de redenção da linguagem referencial, própria do discurso tradicional da teologia. Na sua performatividade quase litúrgica, a linguagem poética aproxima o objecto do discurso teológico do seu eixo verdadeiramente referencial: “a transluminosa treva do Silêncio” [Pseudo-Dionísio Areopagita].

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O colóquio terá lugar na Universidade Católica Portuguesa | Porto, nos dias 8 e 9 de novembro de 2019, e dará particular atenção aos seguintes eixos temáticos: linguagem poética e linguagem teológica: continuidades e descontinuidades; linguagem poética e linguagem mística: inter[con]textualidades; linguagem poética e sagrado: aproximações estético-fenomenológicas.

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