Terras Sem Sombra em Elvas, entre Cabezón, os ex-votos e o jacinto-de-água

| 26 Abr 19

Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona, será o executor de obras de Antonio Cabezón. Foto: Direitos Reservados

 

O Festival Terras Sem Sombra regressa já neste sábado e domingo à zona fronteiriça, com um concerto, um itinerário pelo património histórico e um outro pela biodiversidade ameaçada. O concerto de sábado às 21h30, na antiga catedral de Elvas, promete um momento especial, já que se poderá ouvir o Órgão Grande Oldovino, de 1762 (mas recentemente restaurado), tocado por Juan de la Rubia, organista titular da Basílica da Sagrada Família, de Barcelona e recentemente distinguido com o título de melhor organista da Europa.

No concerto, o fio condutor serão as relações musicais entre a Península Ibérica e o resto da Europa do século XVI, nomeadamente através de obras de Antonio de Cabezón (1510-1566), um dos mais conhecidos compositores de obras para órgão da época, que era invisual. Cabezón foi músico da câmara de Filipe II de Espanha (I de Portugal), destacando-se como improvisador e prolífico compositor de música sacra e profana.

Antes, no sábado às 15h, os interessados poderão conhecer algumas das principais expressões artísticas de Elvas. A primeira delas é o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, um dos mais relevantes exemplos da arquitectura barroca alentejana, onde se pode ver “um dos mais notáveis conjuntos de ex-votos do país”, com milhares de painéis pictóricos e fotografias que agradecem “graças” e “milagres” concedidos, desde a primeira metade do século XVIII até à actualidade. A visita será guiada pelo historiador António Araújo.

Depois, será a vez do Museu de Arte Contemporânea de Elvas, que alberga a Colecção António Cachola, que será guiada pelo próprio coleccionador e traduz os últimos 25 anos de criação das artes nacionais.

Domingo, às 9h30, perto da ponte da Ajuda (onde o rio Guadiana delimita Elvas e Olivença) irá perceber-se os problemas causados por uma espécie exótica invasiva: o jacinto-de-água, cuja proliferação está a ser combatida pelo Exército espanhol e pela EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva), já que poderá comprometer a biodiversidade do Guadiana e prejudicar seriamente a bacia do Alqueva.

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