Terroristas mataram e fizeram reféns técnicos de multinacionais no Norte de Moçambique

| 27 Mar 2021

“Os grupos armados têm sido apontados como pertencendo à Al-Shabab (um dos grupos que integra a Al-Qaeda) ou, segundo outras fontes, ao Daesh, disse a HRW em comunicado.” Foto: Direitos reservados.

 

A já grave situação humanitária e de segurança na província de Cabo Delgado, no Norte de Moçambique, conheceu nesta última semana passada um agravamento significativo, com os ataques de grupos armados na vila de Palma, deixando um número indeterminado de mortos, muitas pessoas e famílias em fuga para a floresta e casas queimadas.

Várias testemunhas contaram à Human Rights Watch (HRW) que viram corpos nas ruas e residentes a fugir, depois de os combatentes terem atirado indiscriminadamente contra pessoas e edifícios. Os grupos armados têm sido apontados como pertencendo à Al-Shabab (um dos grupos que integra a Al-Qaeda) ou, segundo outras fontes, ao Daesh, disse a HRW em comunicado.

Enquanto boa parte da população de Palma, de cerca de 50 mil habitantes, procurou refúgio no mato ou no mar, os técnicos e outros colaboradores da multinacional petrolífera Total e outras empresas estrangeiras, que ali começaram a explorar gás natural, bem como funcionários administrativos e de serviços refugiaram-se num hotel das redondezas.

De acordo com o Ministério da Defesa moçambicano, os atacantes surgiram de três direcções distintas, uma das quais o aeródromo nas redondezas de Palma, zona onde os disparos foram intensos, tal como, dentro da vila, as zonas onde se concentram as agências bancárias. As comunicações foram cortadas, deixando a localidade sem possibilidade de fazer ou receber chamadas.

O ataque teve início na tarde de quarta-feira, 24 de março, precisamente quando tinham acabado de chegar à vila as equipas de técnicos e de seguranças e militares, assim como um barco com carrinhas e alimentação, dado o isolamento a que Palma esteve sujeita desde dezembro. Nas vésperas, a Total tinha acabado de negociar o recomeço das actividades interrompidas em dezembro, por causa da insegurança na zona, tendo em conta que o Governo assumira o reforço da vigilância.

Nesta sexta-feira, 26, uma tentativa de evacuar os refugiados do hotel para um batelão ancorado no porto local deparou com uma emboscada dos jihadistas logo no início do trajeto. Nem a limpeza da área tinha sido assegurada, nem a protecção da caravana foi eficiente. As rajadas provocaram vários mortos e os veículos fizeram marcha atrás. Um vídeo disponibilizado no Twitter por um dos refugiados refere trocas esporádicas de disparos dos jihadistas e da polícia e uma situação de impasse, quando no hotel acabou a comida.

Cabo Delgado

 Camiões parados numa estrada, depois de atacados pelos terroristas. Foto: Direitos reservados.

 

O facto de a organização que tem estado a espalhar o terror e a insegurança na região ter atacado agora aquele que é considerado o maior investimento privado em curso no continente africano, mostra não apenas capacidade de movimentação e de manobra, mas uma provável intenção de fazer aumentar o conflito que, de resto, já se espalha por vastas zonas de África.

Ainda que o ministro da Defesa de Moçambique tenha garantido que as “forças de defesa e segurança farão tudo para garantir a segurança e o bem-estar das populações”, a proteção de “projetos económicos” e a “salvaguarda dos direitos humanos”, a verdade é que o caso de Palma veio revelar, mais uma vez, as fragilidades dessa garantia.

Segundo relatos publicados na rede moçambicana de comunicadores comunitários Pinnacle News, em três dias, os atacantes terão destruído dois terços da vila de Palma, levaram boa parte da população a fugir para a Tanzânia ou para zonas mais interiores e uma outra parte a abandonar a cidade em pequenos barcos à vela.

Mais umas dezenas de milhar de deslocados a acrescentar aos 700 mil que a ONU calcula terem já sido “produzidos” pela destruição e pelo terror em Cabo Delgado.

 

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