Testemunhas de Jeová de todo o mundo em Lisboa: “Um marco na liberdade religiosa em Portugal”

| 27 Jun 19 | Destaques, Igrejas Cristãs - Homepage, Liberdade religiosa, Newsletter, Últimas

Um congresso local das Testemunhas de Jeová, no Estádio do Restelo, em 2013: neste fim-de-semana, o cenário será idêntico, mas no Estádio da Luz. Foto ATJ

 

Sessenta mil participantes, mais de 5.300 delegados internacionais de 46 países. O congresso internacional das Testemunhas de Jeová que decorre no Estádio da Luz, em Lisboa, desde esta sexta-feira, 28 de Junho, até domingo, “é um marco muito importante na história da liberdade religiosa em Portugal”.

Quem o afirma é Pedro Candeias, director de comunicação da filial portuguesa da Associação das Testemunhas de Jeová (ATJ) a propósito deste que é o segundo acontecimento do género em Portugal. Em 1978, no Estádio do Restelo, Lisboa já acolhera um congresso deste género.

Os representantes estrangeiros chegam principalmente de Espanha, Brasil, Venezuela, Estados Unidos ou Canadá, mas também de países mais longínquos como Austrália, Nova Zelândia, Samoa ou Tonga.

A filial portuguesa da ATJ salienta o impacto na economia local da realização do congresso em Lisboa, em especial nos sectores do turismo e da restauração, com a visita de milhares de participantes de fora da cidade e do país.

Para além das iniciativas de âmbito religioso e espiritual previstas para estes três últimos três dias de Junho, no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, a estrutura organizadora agendou um conjunto de visitas programadas a diversos locais na região de Lisboa, como o Palácio de Queluz e o Palácio da Vila de Sintra. Algumas das experiências foram programadas e sugeridas para pessoas que, por exemplo, nunca viram o mar ou uma vinha.

Estas actividades inserem-se no desejo da vivência de um espírito de “confraternização entre todos”, principal objectivo da iniciativa, assim como a “edificação da fé”, refere Manuel da Silva, membro da organização em Portugal.

O programa público contempla palestras bíblicas, demonstrações e apresentações educacionais de áudio e vídeo, em português, língua gestual portuguesa, espanhol e inglês.                          

 

Uma polémica benfiquista

Apresentação do congresso, quarta, 26 de Junho, no Estádio da Luz: Pedro Candeias ao centro e José Catarino à sua esquerda. Foto ATJ

 

Em conferência de imprensa para a apresentação do seu Congresso Internacional, os responsáveis da ATJ em Portugal dizem que a preparação do anfiteatro para o encontro, assim como a limpeza no final do mesmo, é assegurada por mais de dez mil voluntários lusos da Associação. A organização indica ter alugado cerca de 400 autocarros para assegurar os transportes dos participantes de e para o estádio nos três dias do congresso.

O aluguer do Estádio da Luz para o acolhimento do Congresso terá garantido cerca de um milhão de euros ao clube encarnado, noticiou anteriormente o jornal Record. O mesmo espaço desportivo tinha já recebido, no início do mês, dois concertos de Ed Sheeran.

A decisão do Benfica em ceder o estádio causou alguma polémica junto de sócios e da opinião pública benfiquista em geral.

De acordo com os estatutos do clube, o Benfica “é constituído por um número ilimitado de sócios cuja qualificação resulta apenas da respectiva antiguidade e dos galardões atribuídos, não se diferenciando em razão da raça, género, sexo, ascendência, língua, nacionalidade ou território de origem, condição económica social e convicções políticas, ideológicas e religiosas.”

Sem se referirem directamente ao tema, os organizadores do congresso disseram que iniciativas idênticas já se realizaram ou irão realizar-se em estádios de Roma, Madrid (Santiago Barnabéu e Metropolitano) ou Dortmund. E agradecem a “cordialidade e a afabilidade manifestada pelos funcionários do Benfica” em toda a preparação do acontecimento.

O congresso de Lisboa é apenas um dos 24 encontros internacionais de três dias das Testemunhas de Jeová que se realizarão este ano. O tema comum a todos os congressos é “O amor nunca acaba”. As reuniões mundiais começaram em Maio e prosseguem até ao final de ano em 18 países de 22 cidades: nove na América do Norte; três na América do Sul; um em África (Joanesburgo), dois na Ásia (Seul e Manila), uma na Austrália (Melbourne) e oito na Europa (Atenas, Berlim, Copenhaga, Madrid, Paris, Utreque, Varsóvia, além de Lisboa). Os responsáveis da ATJ estimam que mais de 14 milhões de pessoas, no total, assistam aos diversos eventos.

“Este congresso irá ilustrar a influência positiva que o amor pode ter em unir pessoas de diversas origens”, escreve Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, numa declaração a propósito da iniciativa.

 
Nem Natal nem Páscoa

Acção de evangelização de rua: esta é uma das formas em que as Testemunhas de Jeová aposta para fazer passar a sua mensagem. Foto ATJ

 

A designação “Jeová”, para dizer Deus, é utilizada pela ATJ por considerar ser essa a tradução do nome bíblico de Deus (Jehovah).

Os membros das Testemunhas de Jeová não adoram a cruz nem nenhuma outra imagem e reúnem-se em congregações, supervisionadas por um grupo de anciãos. A liderança da religião faz-se através de um Corpo Governante, um pequeno grupo de cristãos seniores, que estabelece orientações a partir da sede mundial, nos Estados Unidos.

As Testemunhas de Jeová recusam participar em conflitos militares e receber transfusões de sangue, e não festejam aniversários. Nem sequer assinalam a festa do Natal, por considerarem que tem raízes pagãs, assim como a Páscoa, por não se basear na Bíblia.

A comunidade das Testemunhas de Jeová é constituída por mais de 8,5 milhões de crentes em todo o mundo, que se reúnem em perto de 120 mil congregações. A instituição diz que as suas revistas A Sentinela e Despertai, com versões em centenas de línguas, são as revistas com maior circulação a nível global.

Em Portugal, há cerca de 50 mil Testemunhas de Jeová (aproximadamente um em cada 200 portugueses) mas José Catarino, porta-voz local de Lisboa, indica que são cerca de 95 mil os assistentes nas diversas reuniões periódicas nas centenas de Salões do Reino espalhadas pelo território nacional.

A quem acusa as Testemunhas de Jeová de fazer proselitismo, José Catarino responde: “Nós não fazemos proselitismo, nós partilhamos, procuramos partilhar o nosso conhecimento com os outros.” Por isso, a principal forma de passar a mensagem é porta-a-porta, justifica, embora também se mobilizem em acções de rua, em grupos de duas pessoas que distribuem as publicações da ATJ.

(Sobre o Congresso e a ATJ pode ver-se também esta reportagem da SIC)

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