Situação agrava-se

“Tiroteios, casas destruídas, corpos pelas ruas e populações em fuga” em Cabo Delgado

| 13 Mai 2024

População em fuga da vila de Macomia. Foto ACN

Num vídeo que um padre de Cabo Delgado enviou para a Fundação AIS, é possível acompanhar a fuga de algumas das pessoas que viviam em Macomia, com as trouxas às costas ou na cabeça, para o mato. 

 

A situação na província moçambicana de Cabo Delgado tem vindo a agravar-se desde o início do ano e os últimos dias foram de terror na estratégica vila de Macomia – sede de um contingente das Forças de Defesa e Segurança de Moçambique – e também nas aldeias de Cajerene e de Missufine, revela a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) nesta segunda-feira, 13 de maio. Desde a madrugada de sexta-feira que vários grupos armados que reivindicam pertencer à organização jihadista Estado Islâmico têm estado a invadir casas, atear fogos e disparar tiros contra militares e a população em fuga.

Num vídeo que um padre de Cabo Delgado enviou para a Fundação AIS (e que pode ser visto abaixo) é possível acompanhar a fuga de algumas dessas pessoas, de trouxas às costas ou na cabeça, para o mato. Um homem, ainda jovem, com uma menina ao colo, caminha apressadamente e, apesar da respiração ofegante, vai procurando relatar o que está a acontecer. “São 5 horas agora, e os malfeitores acabaram de atacar a base militar”, diz.

Referindo-se à troca de tiros na “confiável vila de Macomia”, que todos imaginavam segura pela presença dos militares moçambicanos, o jovem não esconde o medo. “Há um fogo terrível, mas superterrível a acontecer agora na zona de Macomia”, descreve, enquanto foge juntamente com um grupo de dezenas de pessoas. “Precisamos de socorro. Aquela gente [que ainda está] lá precisa de socorro”. E acrescenta: “Eles [os terroristas] estão com tudo…”.

Os recentes ataques aconteceram também nas aldeias de Missufine e Cajerene, situadas no distrito de Ancuabe, a pouco mais de 70 quilómetros da cidade de Pemba, “com relatos de tiroteios, populares em fuga e casas destruídas”. Mas o mais grave foi mesmo o de Macomia, situada a cerca de 180 quilómetros da cidade de Pemba, que se prolongou “durante largas horas desde a madrugada de sexta-feira até ao princípio da tarde de sábado”.

“Relatos de moradores indicam que os terroristas deixaram atrás de si um enorme rasto de destruição e vandalização de casas e infraestruturas socais e até corpos espalhados nas ruas”, adianta a Fundação AIS. Esta foi a segunda vez que houve um ataque de grandes dimensões nesta vila. Já anteriormente, em junho de 2020, Macomia havia sido atacada durante três dias.

 

Mais de 50 mil novos deslocados

Os últimos dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), citados pela Fundação AIS, dizem respeito aos ataques terroristas ocorridos entre os dias 17 de abril e 1 de maio, nos distritos de Ancuabe, Chiúre e Eratijá, que terão provocado cerca de 50 mil novos deslocados, o que corresponde aproximadamente a 10 mil famílias. Estes dados não incluem os milhares de habitantes em fuga na sequência dos ataques dos últimos dias, particularmente na vila de Macomia.

Os mais recentes ataques coincidiram com uma peregrinação particularmente importante na vida da comunidade cristã da Diocese de Pemba: a peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima, em Montepuez. Apesar da distância de cerca de 200 quilómetros para Macomia, “esta foi uma peregrinação marcada também pelo sobressalto das notícias, pelo medo do que estava a acontecer, pela confirmação de que os terroristas são uma ameaça cruel e real na região norte de Moçambique, país africano de língua oficial portuguesa”, sublinha a Fundação AIS.

“No sábado à noite, D. António Juliasse [bispo de pemba] lembrou o que estava a acontecer naquele preciso momento em Macomia e pediu as orações de todos pela população da vila, aflita, em fuga pelo mato, apavorada naquelas horas pela presença dos terroristas na sua terra”, pode ler-se no comunicado da fundação pontifícia.

 

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