Relatório síntese do Patriarcado para o Sínodo

Todos são responsáveis pela missão da Igreja

| 17 Abr 2024

A necessidade de todos serem responsáveis pela missão da Igreja; o lugar central da família; a atenção às periferias humanas; a importância de ouvir as vozes dos que se sentem excluídos; o reforço dos Conselhos Pastorais Paroquiais; e a promoção da participação das mulheres nos ministérios, incluindo a reflexão sobre “a matéria pouco consensual” da sua ordenação – são alguns dos temas referidos no documento elaborado pela comissão sinodal do Patriarcado de Lisboa no âmbito da preparação da segunda assembleia do Sínodo sobre a sinodalidade.

O relatório síntese colocado no sítio do Patriarcado na terça-feira 16 de abril foi elaborado a partir dos contributos de paróquias, movimentos e grupos da diocese de Lisboa recebidos pela comissão sinodal durante o primeiro trimestre deste ano. Nele nada se diz quanto ao número de textos enviados à comissão nem quanto à tipificação dos seus autores. Mas afirma-se que a consciência da “necessidade de todos os batizados – leigos ou clérigos – se saberem responsáveis pela missão da Igreja” e não serem apenas “os diáconos, presbíteros e bispos os responsáveis pela vida de Igreja”, sendo também “os leigos chamados a empenhar-se na missão” constitui o “núcleo central do qual derivam todas as outras reflexões e propostas”.

Entre essas reflexões e propostas, o texto de 21 pontos refere como elementos fundamentais para a vida eclesial “o acolhimento e o acompanhamento das pessoas”, orientações que “devem conduzir à atenção às periferias humanas, geográficas, económicas e sociais: cada comunidade deve conhecer os pobres, os imigrantes, os refugiados e ir ao seu encontro não como um mero assistencialismo, mas com a caridade de Cristo”. Para ir para além do assistencialismo, os organismos eclesiais devem favorecer que as pessoas, organizações e comunidades sejam “agentes do seu próprio desenvolvimento, contribuindo assim para quebrar o ciclo de pobreza”.

Aqueles que se sentem excluídos e cujas vozes é importante auscultar para “integrar na vida da Igreja o seu contributo” são nomeados como sendo “as famílias reconstruídas [divorciados recasados], as pessoas separadas, as pessoas com atração pelo mesmo sexo.”

Do ponto de vista mais interno à própria Igreja sublinha-se a necessidade de um “maior espírito de avaliação à ação dos atores pastorais, sendo de equacionar a existência de um ‘livro de reclamações’ e até de uma ‘provedoria da Igreja’”. Dinamizar “os Conselhos Pastorais, Conselhos Económicos e outros órgãos colegiais, de apoio e decisão”, de modo a fazer crescer “o envolvimento dos leigos em tudo o que diz respeito à vida das comunidades cristãs – caridade, liturgia, ensino” é outra das necessidades ressentidas.

Juventude, formação dos leigos e dos seminaristas, novas formas de comunicação e a promoção da participação feminina nos diversos ministérios são também referidos no documento que termina com um apelo à alegria, por quanto: “o testemunho da alegria é esperado pelos nossos contemporâneos como certeza da presença de Deus no mundo.”

Além de constituir uma referência importante para a Igreja da Diocese de Lisboa, a síntese agora divulgada será entregue à Conferência Episcopal Portuguesa para que esta redija, tendo em conta os contributos de todas as outras dioceses, o relatório de Portugal a enviar ao Vaticano antes da próxima assembleia-geral do Sínodo dos Bispos sobre a sinodalidade que terá lugar durante o mês de outubro, em Roma.

 

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