Torres Queiruga: “Eutanásia é um problema moral”

| 17 Fev 20

Alberto Baumann, “Eutanasia of the Dream” (Eutanásia do Sonho), 1984, técnica mista sobre tela.

 

O papel da religião na questão da eutanásia é “centrar-se no seu papel específico”, diz o teólogo galego Andrés Torres Queiruga, num texto publicado dia 14 no jornal La Voz de Galicia e traduzido para castelhano no Religión Digital. O teólogo, autor de obras como Repensar el Mal, Repensar la Resurrección ou Repensar o Mal. Da Poneroloxia a Teodiceia, explica o que quer dizer com um exemplo: “Quando, ao falar do tema no número 106 da revista Encrucillada afirmei: ‘O que é bom para Ramón Sampedro, é bom para Deus’, disse algo que é evangelicamente axiomático, mas que escandalizou a muitos. A um amigo que me reprovava, reflectindo um parecer oficial, respondi: Por acaso o que é bom para ti não é bom para a tua mãe? Se algo nos ensinou Jesus de Nazaré, consiste justamente em que a única coisa que Deus busca é o bem das suas criaturas, o nosso bem. O problema está em que, por respeito e para não anular a nossa autonomia, tem de deixar-nos a nós a tarefa de encontrar o caminho e a decisão de segui-lo.”

Hoje, com o Evangelho na mão, o papel do cristianismo deve ser o de “urgir ao cumprimento das normas que todos descubramos como as melhores” e “infundir confiança, anunciando a segurança de um Dios Abbá, ‘pai-mãe”.

O autor afirma ainda que usar a eutanásia para qualquer outro propósito que não seja aquele para o qual aponta a sua etimologia (‘ajudar a ‘morrer bem’), seria uma indignidade humana”, tal como “seria miséria intelectual resolvê-la à base de tópicos: esquerda contra direita ou laicismo contra iglesia.” É preciso, conclui daí, “dignificar a discussão pública” e insistir na dimensão moral do problema: “procurar que recursos médicos, que leis civis, que ajudas pessoais são as mais adequadas para ajudar a que a pessoa possa enfrentar dignamente a sua morte.”

(Texto completo aqui)

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