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Mulheres são prejudicadas

Trabalhadores católicos contra o “não descanso” ao domingo

Mulher a trabalhar. No setor retalhista são elas quem mais trabalham e muitas vezes de forma precária. Foto © Christina-Wocintechchat | Unsplash

 

O domingo é hoje o “dia de (não) descanso”, orientado para um consumismo exacerbado, denuncia o MTCE – Movimento de Trabalhadores Cristãos Europeus, ao assinalar o dia internacional pelo domingo livre de trabalho, que se celebrou este domingo. 

No texto — redigido este ano pelas mulheres da Associação de Trabalhadores Católicos do Sul do Tirol, em Itália — alerta-se para a sobrecarga das mulheres e para a obsessão do “consumo”.

“Há já alguns anos que se constata que a sociedade do lazer está a tornar-se cada vez mais orientada para o consumo. O consumo está a tornar-se a forma superior de lazer, o que é do interesse de certas grandes empresas, porque as lojas que não estão abertas ao domingo não podem vender”, refere a mensagem anual para esta celebração.

No comunicado enviado este domingo à Agência Ecclesia pela Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC), de Portugal, que se associa à celebração, como membro do MTCE, refere-se que hoje em dia defende-se que “as pessoas devem poder ir às compras ao domingo, devem poder satisfazer as suas necessidades materiais sem restrições, em nome da realização pessoal e da liberdade de escolha pessoal”. “Muitas organizações católicas, evidentemente, têm uma visão diferente”, contrapõem os trabalhadores cristãos europeus. “O domingo deve continuar a ser um dia para a família, um dia sem frenesim consumista, simplesmente um dia em que se pode desligar e orientar-se para Deus. Sem obrigação, é claro, mas como uma oportunidade para nos orientarmos, para sermos espirituais. Mesmo que isso não corresponda ao espírito dos tempos atuais.”

“Vivemos na sociedade do lazer e descobrimos o domingo como o dia para ser preenchido com múltiplas atividades. A sociedade do lazer não tem tempo, afinal, para o lazer e o descanso”, advertem.

A declaração para este dia foi confiada às mulheres da Associação de Trabalhadores Católicos do Sul do Tirol, em Itália, em nome da KVW (Associação Católica dos Trabalhadores). “Queremos continuar a trabalhar para sensibilizar as pessoas para a importância de um domingo com sentido e estamos a fazê-lo através de várias campanhas”, afirma Heidrun Goller, presidente da KVW.

A responsável admite que a tendência para a abertura de mais centros comerciais ao domingo “já não pode ser travada”, mas procura chamar a atenção para o facto de cerca de 70% dos empregados nestes espaços serem mulheres, “algumas das quais com empregos precários” e que precisam de proteção.

A KVW está a recompensar, com um “certificado de honra”, as empresas do sector retalhista que fechem as suas lojas ao domingo.

O risco do “templo-mercado” substituir “o templo-casa”

Também este domingo, o Papa alertou, no Vaticano, citado pela Ecclesia, para o risco de se transformar a vida espiritual numa relação “comercial” com Deus.

“Jesus é duro, porque não aceita que o templo-mercado substitua o templo-casa, não aceita que o relacionamento com Deus seja distante e comercial em vez de próximo e confiante, que os bancos de vendas tomem o lugar da mesa da família, que os preços tomem o lugar dos abraços e as moedas o lugar das carícias”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, numa reflexão sobre os vendilhões do templo.

 

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