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Manifestação sindical. UGT. 1º de Maio 2013

[À volta do 1º de Maio] Trabalhadores cristãos: a luta continua – contra o vírus e a indignidade do trabalho

| 30/04/2021

Manifestação sindical. UGT. 1º de Maio 2019

Manifestação sindical em Lisboa. UGT. 1º de Maio 2013. Foto © Arlindo Homem

O Movimento Mundial dos Trabalhadores Cristãos (MMTC) considera que “não estamos só a lutar contra um vírus destrutivo a nível mundial, mas também contra uma corrente sectária que diminui a primazia do trabalho”. Num comunicado divulgado a propósito das celebrações do Primeiro de Maio, Dia Mundial do Trabalhador, o movimento diz que o “valor social e pessoal, que eleva a dignidade de cada indivíduo” deve ser assumido “como um estandarte de humanidade”.

No documento enviado ao 7MARGENS, o MMTC faz várias perguntas: “Seremos capazes de zelar pela dignidade dos pobres que são constantemente despojados, dos marginalizados que fazem fila” para receber comida? “Seremos capazes de resistir com os trabalhadores e trabalhadoras à exploração económica?”

Vários direitos fundamentais “estão em retrocesso”, diz o texto, que refere o aumento dos desempregados, a falência de pequenas e médias empresas, o emprego precário, a perda de benefícios sociais, a falta de habitação digna e as desigualdades no tratamento entre homens e mulheres como algumas das realidades preocupantes.

Esta situação contemporânea “tem importantes repercussões no seio das famílas, onde o desemprego e a precariedade provocam isolamento e tensões intrafamiliares, violência e problemas de saúde e educação”, acrescenta o MMTC, do qual faz parte também a Liga Operária Católica/Movimento dos Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC).

A sociedade desigual tende também a “considerar o trabalhador como uma engrenagem, um consumidor” e “o modelo económico preocupa-se mais com a sua economia do que com o ser humano”. E em consequência “as empresas multinacionais continuam a enriquecer na sua maioria com lucros colossais”.

A mensagem, que foi preparada pelo Movimento de Trabalhadores Cristãos de Reunião, que integra o MMTC, convida “a manter e prosseguir a luta por uma sociedade mais justa, mais fraterna e sustentável”.

“O Primeiro de Maio não é só uma manifestação de um dia, mas consiste numa chamada de atenção para uma luta diária. E para nós, cristãos, é uma luta centrada no ser humano, em nome de Cristo, com o Espírito Santo”, acrescenta o texto. No contexto actual, acrescenta o texto, serve também o exemplo de Jesus, que se deu “a conhecer através das curas”. “Deixemo-nos inocular pelo seu Espírito, para conseguir, com pequenas acções onde nos encontramos, uma mudança à escala global”, conclui o texto.

O novo “precariado”

Dedicada ao tema da precariedade, a LOC/MTC acabou de viver a sua 10ª “semana temática”, que pretendeu alertar para a nova realidade do “precariado: uma nova palavra nascida da conjugação das palavras precariedade e proletariado, para identificar uma classe social, constituída por homens e mulheres que trabalham e que executam as suas tarefas laborais sem um vínculo laboral permanente ou estável, com empregos incertos e inseguros, baixos salários, horários longos, sem contratos de trabalho efetivos e pobres apesar do trabalho”.

Esta realidade “ameaça a integridade das relações laborais e a vida familiar, onde a pobreza, a fome e a miséria têm de estender a mão à caridade”, diz o documento de conclusões, enviado entretanto ao 7MARGENS.

A situação é aproveitada por “empresas fantasma, criadas por grandes empresas, que se aproveitam da situação de vulnerabilidade e obrigam os trabalhadores ‘a dançar’ de contrato em contrato, até ao despedimento”. Também as plataformas digitais são objecto de crítica, pois concretizam a “mais recente uberização do trabalho, deixando os trabalhadores entregues a si mesmos, perante a sua desresponsabilização empresarial, num claro retrocesso civilizacional”.

O trabalho a partir de casa também criou problemas: casas sem condições, adultos com os filhos por perto, invasão da privacidade familiar, desregulação, isolamento das pessoas foram consequências notórias.

A LOC/MTC considera grave também o “conceito de empresa antissocial, que vive dos baixos salários, boicota a negociação coletiva, subcontrata à hora, não reconhece os sindicatos e os seus representantes” e cuja divisa é apenas o lucro e a fuga aos impostos e ao controlo das autoridades. Ao mesmo tempo, os sindicatos estão “fragilizados e dependentes do poder político, não têm apresentado ideias novas, passam por grandes dificuldades de resposta e adaptação a estas novas formas de exploração”.

Apesar deste panorama, o MTC considera como suas prioridades a afirmação dos valores cristãos no mundo do trabalho: “Temos como prioridade a promoção da dignidade e igualdade entre homens e mulheres e o respeito pelos direitos conquistados; somos chamados a combater a imoralidade do precariado, que mata a dignidade, a saúde, a família e desmantela a sociedade.” E conclui, citando o Papa Francisco: “Maior precariedade, trabalho irregular e chantagem sobre os trabalhadores tira dignidade, impede a plenitude da vida e exige resposta vigorosa.”

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O Papa Leão XIV proclamou, desde 10 de janeiro e até final deste ano, um ano jubilar assinalando os 800 anos da morte de Francisco de Assis, ocorrida em 3 de outubro de 1226 – a festa litúrgica é assinalada dia 4. Com esse pretexto, o 7MARGENS publica, até final do ano, nos dias 3 ou 4 de cada mês, uma série de dez textos da autoria de frei Isidro Lamelas, da Ordem dos Frades Menores, professor de Teologia. Este é o oitavo texto da série.

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