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Trabalhadores dos supermercados marcam greve no 1º de Maio

| 28/04/2019

Trabalhadores dos supermercados marcam greve no 1º de Maio

by | 28 Abr 19 | Newsletter diária - título, Portugal - Sociedade, Sociedade, Trabalho e Economia, Últimas

Sindicatos querem que os hiper supermercados fechem as portas no 1º de Maio, mas também aos domingos e feriados. Foto © Ben Tavener/Wikimedia

 

Os sindicatos representativos dos trabalhadores de hiper e supermercados entregaram um pré-aviso de greve para o próximo dia 1 de Maio, quarta-feira, Dia Mundial do Trabalhador. Em causa, está a reivindicação de revisão do Contrato Colectivo de Trabalho, cuja negociação se prolonga há 31 meses.

Como destinatários do pré-aviso, incluem-se supermercados das redes Pingo Doce, Continente, Jumbo e Minipreço, no que se repete já de anos anteriores. O CESP – Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal, diz em comunicado que, com esta greve, os trabalhadores do sector querem que as empresas em causa e a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) revejam o Contrato Colectivo de Trabalho (CCT).

Em concreto, pedem aumento dos salários, encerramento dos supermercados no 1.º de Maio, bem como aos domingos e feriados, o pagamento do trabalho em dia feriado acrescido de 100 por cento, e ainda a progressão automática na carreira de operador de armazém.

No mesmo comunicado, o CESP (que integra a CGTP) saúda a referência do bispo do Porto na homilia do Domingo de Páscoa ao encerramento das grandes superfícies ao domingo, e denuncia o que considera “os comportamentos que as empresas de distribuição já estão a ter, uma vez mais, de pressão e tentativa de intimidação dos trabalhadores”. E acrescenta que várias empresas estão a organizar “lanches, almoços e festas” dentro dos supermercados para “comemorar” o Dia do Trabalhador “ao invés de encerrarem no 1º de Maio, respeitando o direito dos trabalhadores”.

 

Trabalhadores Cristãos pedem respeito pela dignidade

A propósito do próximo 1º de Maio, a Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos (LOC/MTC) emitiu também um comunicado em que afirma que “o trabalho é um elemento indispensável da dignidade humana” e que “a dignidade do homem, dada por Deus, deve ser respeitada no mundo do trabalho”.

Unindo-se ao Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), do qual faz parte, a LOC/MTC refere também os milhões de pessoas que, na Europa e no mundo, “não têm trabalho para se alimentarem e às suas famílias”. “A mecanização, a automação e a digitalização não devem levar à exclusão de milhões de pessoas”, acrescenta o texto, mas está em causa também a exploração dos recursos que “causa danos irreparáveis e condições de trabalho desumanas”, bem como a digitalização da economia que “conduz a condições laborais precárias”.

O texto recorda afirmações do Papa Francisco na exortação Evangellii Gaudium: “não a uma economia de exclusão e da iniquidade. Esta economia mata (…) “ Como consequência desta situação, grandes massas de população veem-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem horizontes, sem saída”. Em todo o mundo, acrescenta o texto a propósito, “60 por cento dos trabalhadores estão empregados no sector informal: sem segurança social, sem direitos laborais e com salários baixos”.

A LOC recorda que os cem anos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) “não trouxeram aos trabalhadores de todo o mundo os direitos sociais e laborais estipulados pelas normas da OIT”. E exemplifica: “Milhões de pessoas veem-se privados dos direitos laborais e humanos fundamentais; não podem constituir comissões de trabalhadores nas empresas nem podem organizar-se para se defender.”

Pelo contrário, “o desenvolvimento rumo à paz, o progresso e a justiça social só é possível se todos os países do mundo ratificarem essas normas da OIT”, o que leva a LOC/MTC a pedir “a aplicação global dos direitos laborais de acordo” com as convenções e documentos da Organização Internacional do Trabalho.

“O trabalho e as condições laborais continuam a causar danos na saúde e a morte. O trabalho digno exige condições de saúde e que garanta ao trabalhador um meio de vida com dignidade. A Europa necessita de uma legislação global para um salário mínimo digno nos seus diferentes países. As empresas que operam à escala mundial devem estar obrigadas a aplicar os direitos laborais e as normas de salário mínimo nas suas cadeias de produção”, diz ainda o texto, que reclama um “salário mínimo justo e sustentável na Europa e em todo o Mundo.” E o fim da “exploração dos seres humanos e da nossa mãe Terra”.

 

(Acerca dos mesmos temas, o 7MARGENS publicou um texto da co-presidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos, Fátima Almeida)

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