“Trabalho digital sim, mas digno”, pedem a LOC/MTC e a Práxis na Jornada Internacional dedicada ao tema

| 6 Out 20

“A defesa do trabalho digno e a passagem ao trabalho digital geram novas incertezas e constituem desafios e preocupações”, dizem os organizadores. Foto: Direitos reservados.

 

O trabalho pode ser digital, mas tem de ser digno. Com essa convicção, a LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos) e a Práxis (organização de reflexão e debate sobre trabalho e sindicalismo) organizam nesta quarta-feira, 7 de Outubro, uma vídeo-conferência sobre a organização do trabalho em tempos de pandemia e com o aumento do trabalho em casa – cresceu de 2% para quase um quarto da população activa em pouco tempo.

A intenção, dizem as organizações promotoras da iniciativa, é debater “a evolução das relações e formas de trabalho na era digital, contribuir para uma visão e acção estratégica sindical e para a consciência e mobilização” à volta do tema, “visando garantir a protecção e o futuro dos trabalhadores”.

O debate decorre entre as 21h e as 23h na plataforma Zoom, e a escolha da data não é casual. Neste dia 7, assinala-se a Jornada Internacional pelo Trabalho Digno, data que é aproveitada normalmente pela LOC/MTC  para promover várias iniciativas. “A defesa do trabalho digno e a passagem ao trabalho digital constituem desafios e preocupações, geram novas incertezas”, justificam os organizadores sobre a conferência de quarta-feira, que será transmitida nas páginas  da Práxis – Trabalho e Sindicalismo e da LOC/MTC na rede social Facebook.

 

Um quarto em trabalho à distância

Há duas semanas, na reunião da sua equipa nacional, em Aveiro, a LOC/MTC debateu a questão do trabalho à distância, que até há meses era residual no país, representando apenas 2%. “Com a pandemia, sofreu um profundo impacto e hoje abrange cerca de 23% do emprego total”, mais de um milhão de trabalhadores que, usando as novas tecnologias, trabalham a partir de casa.

“Cresceu, e muito, essa mistura que não permite a conciliação entre a vida familiar e a vida profissional, e provoca a falta de socialização com os colegas de trabalho, horários longos e desencontrados e trabalho em dias de descanso”, analisava a equipa nacional do MTC, que alertava: “É de extrema importância alterar a legislação para responder a estas novas situações e que os sindicatos tenham força e capacidade para que essa legislação proteja a parte mais fraca que são os trabalhadores.”

Os dirigentes do Movimento de Trabalhadores Cristãos relacionaram esta realidade com outros problemas que, na sua perspectiva, afligem o mundo do trabalho e que levou esta organização católica a definir “O valor da pessoa humana no centro de tudo” como tema para este ano pastoral.

A pandemia foi apenas a tradução dos problemas graves que afectam o mundo do trabalho e os trabalhadores, denunciam os responsáveis do MTC: ela alterou todos os âmbitos da vida, espalhou “o medo, a incerteza, a pobreza, o sofrimento, a morte”, acentuando a  “exclusão e desigualdades sociais, fragilizando as nossas habituais seguranças”. Isto resulta no “agravamento de uma crise sanitária e socioeconómica” que aumentou o atraso do país nas respostas sociais adequadas e na protecção dos mais velhos.

O aumento da pobreza e do desemprego, bem como o crescimento dos índices de pobreza entre os desempregados (mais de 10% em dez anos, estando em 2018 em 47,5%, segundo dados do INE) significa que a protecção social está “em níveis muito baixos e que a precariedade, os baixos salários e as reduzidas qualificações dos trabalhadores produzem pobres”, denunciava ainda a LOC/MTC.

 

Clima e saúde

A situação de emergência climática vivida no planeta, que coloca em risco sobretudo os mais pobres, bem como a necessidade de reforço do Serviço Nacional de Saúde são outros desafios identificados pela equipa nacional da LOC/MTC.

Na sessão desta quarta-feira, haverá duas intervenções de fundo: Mafalda Troncho (directora da representação da Organização Internacional do Trabalho em Portugal), e o economista e investigador Nuno Teles, professor da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (Brasil). Seguem-se quatro outros intervenientes com tempos mais curtos: Abraham Canales (Hermandades Obreras de Acción Católica, de Espanha), Carlos Trindade (representante da CGTP no Conselho Económico e Social Europeu um dos responsáveis da Práxis), Gabriel Esteves (engenheiro mecânico e presidente da Juventude Operária Católica) e Rui Moreira (membro da Comissão de Trabalhadores da Meo/Altice e da direcção da Práxis).

A videoconferência conta com o apoio de 18 organizações sociais da área do catolicismo social e dos movimentos de trabalhadores precários, bem como de 11 sindicatos filiados nas duas centrais sindicais ou independentes.

O movimento prepara já a realização, em Portugal, de um seminário internacional sobre “Evolução das relações e formas de trabalho na era digital. Organização dos trabalhadores e sua representação” (12-15 de Novembro, em Aveiro), bem como, daqui a um ano, do Seminário Internacional e da assembleia geral do MMTC – Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos.

 

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