Trabalhar 12 e 14 horas por dia durante seis dias por semana, fazer turnos duplos e triplos consecutivos, dormir no local de trabalho para economizar tempo de deslocação e poder descansar um pouco… Esta é a realidade para muitos trabalhadores em Singapura, mas também noutras cidades do mundo, denuncia o Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC) na sua Mensagem para o Dia Mundial pelo Trabalho Digno, que se assinala nesta terça-feira, 7 de outubro.
Apesar de nesta cidade-estado o trabalho se encontrar “altamente regulamentado por leis que estabelecem, por exemplo, limites para horas extras, licenças médicas, anuais e parentais”, a verdade é que “os trabalhadores em Singapura continuam a registar longas jornadas de trabalho todos os dias”, denuncia a mensagem, enviada nesta segunda-feira ao 7MARGENS.
“A disponibilidade constante faz parte das expectativas culturais do trabalho. Essas condições são ainda piores para as trabalhadoras domésticas e os trabalhadores manuais, que são em sua maioria migrantes. As trabalhadoras domésticas, que são o eixo da economia do cuidado, costumam trabalhar cerca de 18 horas por dia”, pode ler-se.
A causa principal desta vulnerabilidade diante de jornadas de trabalho extremas é a pressão causada pelos baixos salários e pela falta de segurança no emprego, explica o MMTC. Como Singapura não tem salário mínimo, e as diretrizes existentes não abrangem os trabalhadores migrantes, “salários base de cerca de 300 dólares [cerca de 256 euros] continuam a ser comuns numa cidade onde o custo de vida está entre os mais elevados do mundo”.
Além disso, “a falta de mobilidade laboral dos migrantes, com vistos patrocinados por empregadores, mantém-nos perpetuamente dependentes dos seus empregadores, impedindo-os de melhorar as suas condições de trabalho”, acrescenta a mensagem.
Uma realidade que, lamentavelmente, ainda “prevalece em muitos outros países” e que “demonstra que o trabalho digno não pode ser alcançado apenas através do artifício superficial da legislação”. O trabalho digno para todos “requer abordar as causas profundas na sociedade e na economia, incluindo a economia informal e as normas culturais”, conclui o MMTC.










