Um trabalho do jornalista Filipe Ribeiro, publicado no 7MONTES, recebeu uma menção honrosa no Prémio Imprensa Regional, instituído pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal. A distinção será entregue durante as cerimónias do 1.º de Dezembro, em Lisboa.
A reportagem distinguida relata a inauguração de um memorial na aldeia mista de Cambedo (no concelho raiano de Chaves), que reconhece a “solidariedade, coragem e sofrimento de que deu provas a comunidade local” no acolhimento de refugiados antifranquistas nas décadas de 1930 e 1940. A instituição destacou o trabalho por “se enquadrar no propósito do prémio que visa salientar os valores que contribuem para a definição da independência de Portugal e do país”.
A reportagem relata que logo após o início da guerra civil espanhola, Cambedo, tal como outras povoações raianas, acolheu centenas de refugiados e, mais tarde, guerrilheiros antifranquistas. Com o objetivo de desalojar estes combatentes e reprimir a população que os apoiava, a aldeia foi cercada, a 20 de dezembro de 1946, por forças militares espanholas e portuguesas, entre elas a Guardia Civil, o Exército português, a PIDE e a GNR. Dois dias depois, foi bombardeada com morteiros pelo regimento de Chaves. Na aldeia, ainda são visíveis as marcas de morteiros disparados durante o cerco em algumas casas.

Aldeia recorda solidariedade entre os povos vizinhos. Foto © Filipe Ribeiro.
De recordar que Cambedo da Raia, Soutelinho da Raia e Lamadarcos eram conhecidas por aldeias mistas, ou promíscuas, por serem atravessadas pela antiga fronteira luso-espanhola até 29 de setembro de 1864, data da assinatura do Tratado de Lisboa, que fixou definitivamente os limites entre Portugal e Espanha. A par destas aldeias, ali bem próximo existia o Couto Misto (Couto Mixto) também com três aldeias: Santiago, Rubiás e Meaus. Tratava-se de um microestado independente, encravado entre Portugal e a Espanha, que não estava ligado a nenhuma coroa. Tinha leis próprias, direitos e privilégios, isenção de impostos e dava asilo a foragidos da lei, exceto para crimes de sangue.
Para Filipe Ribeiro, o galardão reconhece não apenas o trabalho jornalístico desenvolvido pelo 7MONTES ao longo de 2024, mas também o contributo de uma iniciativa sem fins lucrativos lançada pelo jornal 7MARGENS, dedicada a divulgar notícias, histórias e realidades de Trás-os-Montes, contadas e vividas pelos habitantes da região.
A Sociedade Histórica da Independência de Portugal, cuja missão é “cultivar a afirmação do país pelos portugueses, luso-descendentes e luso-falantes”, criou o Prémio Imprensa Regional, destinado a galardoar, anualmente, artigos e vídeos publicados na Imprensa Regional no ano anterior à atribuição do prémio.
O galardão contempla duas categorias, de artigo escrito e vídeo, sendo constituído por um troféu representativo da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e pela importância de mil euros em cada categoria. Poderão, também, ser atribuídas menções honrosas. O historiador algarvio Fernando Pessanha, que publicou uma série de artigos no Jornal do Algarve, e o jornalista da Rádio Renascença, António Jorge Lé, foram os vencedores ex-aequo desta edição do Prémio.










