
Trabalhadora humanitária dá um medicamento a uma criança haitiana. “A União Europeia e os seus Estados-membros devem desinvestir totalmente no apoio militar a atores que violam o Direito Internacional Humanitário”, diz a Cáritas Internacional. Foto © Wikimedia Commons
A confederação internacional da Cáritas condenou o “aumento dramático” do número de mortes de trabalhadores humanitários, alertando em particular para a situação em Gaza, na Palestina, e denunciando a “contínua cumplicidade da União Europeia e dos Estados Unidos da América (EUA) nas violações do Direito Internacional Humanitário”, noticiou a Agência Ecclesia.
“O ano de 2024 está a caminho de ser o ano mais mortífero de que há registo para os trabalhadores humanitários, em especial para os que trabalham nos seus próprios países. Já foram mortos 192 trabalhadores humanitários em 2024, 119 dos quais eram pessoal local, e o ano ainda está longe de terminar”, refere uma nota da organização católica, divulgada na segunda-feira, 19, Dia Mundial da Ajuda Humanitária, data que o Papa também assinalou. “Este aumento dramático do número de mortes de trabalhadores humanitários deve-se, na sua esmagadora maioria, aos que foram mortos em Gaza desde outubro de 2023, num total de pelo menos 274 trabalhadores humanitários nos últimos dez meses”, acrescenta a nota.
A ‘Caritas Internationalis’ denuncia, ainda, a “contínua cumplicidade da União Europeia e dos EUA nas violações do Direito Internacional Humanitário”, bem como “a duplicidade de critérios e a crescente politização do apoio humanitário”.
“A União Europeia e os seus Estados-membros devem desinvestir totalmente no apoio militar a atores que violam o Direito Internacional Humanitário. Sem este desinvestimento, a diplomacia humanitária continuará a ser minada por Estados que, por um lado, condenam as violações do Direito Internacional Humanitário e, por outro, prestam apoio militar e económico às partes que perpetram essas violações”, prossegue.
A Cáritas apela ainda à “equidade na responsabilização e na cobertura mediática das mortes” destes trabalhadores. “As mortes de trabalhadores humanitários nacionais recebem muito menos cobertura mediática do que as mortes de trabalhadores humanitários internacionais”, lamenta a nota.
O comunicado recorda, em particular, a morte de dois trabalhadores humanitários nacionais da Cáritas, em Gaza. “Viola, uma técnica de laboratório de 26 anos, morta com o marido e a filha bebé, e Issam Abedrabbo, um farmacêutico e pai dedicado, de 35 anos, morto com dois dos seus filhos, deixando uma filha órfã. Estas mortes estão longe de ser acidentais”, assinala a organização.









