Alarme nos países de acolhimento

Tráfico de refugiados é motivo de preocupação

| 20 Mar 2022

Refugiados a entrarem na Polónia vindos da Ucrânia no posto de fronteira de Medyka. Foto © ACNUR/Chris Melzer.

Preocupação com o tráfico de refugiados leva SEF a controlar as fronteiras portuguesas. Foto © ACNUR/Chris Melzer.

 

A preocupação com o tráfico humano nesta crise de refugiados que enche a Europa a partir da Ucrânia tem levado a que várias pessoas e organizações se tenham manifestado a favor de uma proteção destes refugiados. O caso mais recente foi o cardeal Mario Grech, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, que, após visitar dois centro de apoio a refugiados em Varsóvia, na Polónia, referiu aos jornalistas presentes que “as mulheres e crianças ucranianas devem ser ‘protegidas’ dos traficantes de seres humanos quando chegam aos nossos países” de acolhimento.

Acompanhado pelo cardeal Kazimierz Nycz e por Piotr Jarecki, o cardeal Grech visitou na tarde de sábado, 19 de março, o centro da paróquia de Santa Margarida em Łomianki, uma pequena cidade nos arredores de Varsóvia com 15.000 habitantes, onde 2.300 refugiados, especialmente mulheres e crianças, são acolhidos por famílias da paróquia, e o centro “Dobre Miejsce”, a casa diocesana de exercícios espirituais transformada em lar para 100 refugiados. Grech não só visitou as instalações como esteve, segundo comunicado da Secretaria-Geral do Sínodo enviado ao 7MARGENS, a ouvir as histórias das crianças com quem se cruzou.

A Amnistia Internacional também tem estado muito atenta às questões do tráfico humano, e apela aos voluntários que estão a deslocar-se até aos países que fazem fronteira com a Ucrânia para ir buscar refugiados que o façam sempre em conjunto com as organizações que estão no terreno. No caso dos portugueses, Pedro Neto disse que se devem articular com o Governo português, Alto Comissariado das Migrações e Organização Internacional para as Migrações (OIM).

O jornalista José Pedro Frazão, da Rádio Renascença, que esteve em reportagem na Ucrânia, já tinha referido à Ecclesia que há “máfias” que ameaçam a entrega de ajuda humanitária à população. “Há máfias, que atuam na fronteira, a tentar desviar, a tentar comprar os mantimentos, os conteúdos dos camiões, para poder fazer negócio com os alimentos onde eles escasseiam, dentro da Ucrânia”, afirmou.

O repórter, ainda no leste europeu, sublinhou o “desafio da transposição” da ajuda humanitária da fronteira da Polónia para a Ucrânia”, onde registou problemas, e deixa um alerta: a boa vontade e a generosidade devem ter também em atenção o esforço de “coordenação”, com quem se encontra no terreno. “É necessário aprimorar a forma como a ajuda chega, são precisos contactos dentro da Ucrânia”, a Cruz Vermelha, o exército ou a embaixada ucraniana em Lisboa, referiu.

Aqui em Portugal, o Governo anunciou no passado dia 17 de março que não registou qualquer caso de tráfico entre as pessoas chegadas da Ucrânia em consequência da guerra, mas que, nesse sentido, sublinhou Francisca Van Dunem, ministra da Administração Interna, o SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), em articulação com a GNR, está a fazer controlos móveis aleatórios a grupos e autocarros que trazem pessoas da Ucrânia para Portugal na fronteira com Espanha para evitar o tráfico de pessoas em fuga da Ucrânia.

A ministra realçou que se não se pode “descurar a possibilidade das redes criminosas que se dedicam a esta atividade irem buscar pessoas que se encontrem em situação de maior fragilidade e de as trazerem para Portugal dando a ideia que vem para um destino normal, mas acabam por colocá-las” em outras situações, como prostituição.

Também presente na apresentação do projeto, a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, anunciou que vai ser distribuído junto dos ucranianos que chegam a Portugal um guia de prevenção com informação relativamente ao risco do tráfico de seres humanos. 
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