Tragédia em Myanmar: arcebispo diz que trabalhadores foram enterrados por uma “avalanche de injustiça”

| 6 Jul 20

deslizamento terras mina myanmar extracao jade, Foto Myanmar Fire Services Department

Além de terem ficado sepultados na mina, o arcebispo diz que os trabalhadores “foram enterrados por uma avalanche de injustiça”. Foto do Myanmar Fire Services Department

 

O arcebispo de Yangon, Myanmar, manifestou a sua indignação face a mais um acidente nas minas de jade do país, que vitimou na passada quinta-feira 172 trabalhadores, soterrados por um deslizamento de terras. O cardeal Charles Bo atribui a culpa à negligência e ganância das empresas a operar no local.

Além de terem sido soterrados pela lama da montanha, “foram enterrados por uma avalanche de injustiça”, denunciou este sábado, 4 de julho, o principal líder católico de Myanmar, citado pelo Religión Digital. “Foram sacrificados no altar da avareza, pela total negligência e arrogância das empresas que continuam a desumanizar os pobres do país”, afirmou.

O acidente aconteceu na manhã de quinta-feira, quando os mineiros procediam à extração de jade, de que Myanmar é o maior produtor mundial. Os trabalhadores teriam sido alertados pelas autoridades para não entrarem nas minas devido às tempestades que têm afetado a região de Hpakant, junto à fronteira com a China.

Em abril do ano passado, pelo menos 54 pessoas morreram na sequência de um deslizamento de terras numa outra mina de Hpakant. Em 2015, a ONG Global Witness tinha já alertado para as condições precárias em que trabalham os mineiros da extração de jade, uma indústria que em 2014 terá rendido 31 mil milhões de dólares.

 

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