Estudo “Portugal e o Elevador Social”

Transmissão intergeracional da pobreza não está a diminuir

| 23 Out 2023

Crianças em bairro pobre. Foto Hosny Salah Pixabay

Aqueles que são oriundos de famílias numerosas têm 23 por cento de probabilidade de viver na pobreza em adultos, indica o estudo. Foto © Hosny Salah/Pixabay.

 

Os adultos que nasceram em famílias monoparentais ou em famílias numerosas têm uma probabilidade significativamente superior à média de viver na pobreza, contrariando o ditado popular de que “no nascer (e no morrer) somos todos iguais”. A conclusão consta de um estudo intitulado “Portugal e o Elevador Social: Nascer pobre é uma fatalidade?”, há dias divulgado em Lisboa.

Em termos percentuais, o relatório indica que aqueles adultos que nasceram e cresceram com uma única figura parental têm uma probabilidade de 20 por cento de viver na pobreza, enquanto que para aqueles que são oriundos de famílias numerosas essa probabilidade sobe para os 23 por cento.

Outra conclusão indica que quanto mais elevada é a escolaridade do pai, mais probabilidade existe de o filho ou filha frequentarem níveis mais avançados, nomeadamente o ensino superior. Quantitativamente, o relatório mostra que os adultos cujo pai apenas completou o ensino básico (9º ano) são duas vezes mais afetados pela pobreza do que aqueles cujo pai tem o ensino secundário. Por outro lado, apenas uma em cada cinco pessoas (20,6 por cento) cujo pai completou o ensino básico é diplomada do ensino superior. Esta percentagem é quase três vezes maior (58,5por cento) para pais com o ensino secundário  (com o superior, são 75,6 por cento).

O estudo, coordenado pelos investigadores da Universidade Nova Susana Peralta e Nuno Machado, é um complemento ao relatório anual “Portugal, Balanço Social”, que visa “traçar um retrato socioeconómico das famílias portuguesas, com ênfase nas situações de privação e pobreza e, quando possível, no acesso às respostas sociais existentes em Portugal”.

A investigação usa o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR) de 2019, que incluiu um módulo ad hoc sobre a transmissão intergeracional das desvantagens sociais, módulo esse que inquiriu indivíduos com idades entre os 25 e os 59 anos acerca da sua situação familiar quando tinham 14 anos. A taxa média de pobreza, nesse grupo etário, que é o referencial deste estudo, era, então, de 15,8 por cento (17,2 por cento para a população em geral).

Outros dados sumariados no relatório executivo do estudo indicam:

– Uma em cada quatro pessoas que, aos 14 anos, vivia num agregado com má situação financeira, com um pai imigrante ou numa instituição de acolhimento, é pobre.

– Quase uma em cada cinco pessoas adultas que viviam numa casa arrendada aos 14 anos é pobre.

– Um em cada três adultos cuja família, quando eles tinham 14 anos, não conseguia satisfazer as necessidades de material escolar, é pobre. Nos adultos cuja família conseguia satisfazer estas necessidades, a proporção de pobres baixa para metade.

O relatório sugere que, comparando entre as gerações nascidas nas décadas de 60, 70 e 80 do século passado, a transmissão intergeracional de pobreza não está a diminuir, o que leva a concluir que gerações de pobres têm vindo a criar novos pobres.

 

“As estatísticas oficiais subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia Cáritas

7MARGENS antecipa estudo

“As estatísticas oficiais subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia Cáritas novidade

Ao basear-se em inquéritos junto das famílias, as estatísticas oficiais em Portugal não captam as situações daqueles que não vivem em residências habituais, como as pessoas em situação de sem-abrigo, por exemplo. E é por isso que “subestimam a magnitude da pobreza e exclusão em Portugal”, denuncia a Cáritas Portuguesa na introdução ao seu mais recente estudo, que será apresentado na próxima terça-feira, 27 de fevereiro, na Universidade Católica Portuguesa do Porto.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra

Atividades abertas a todos

Ver teatro que “humaniza” e aprender a “salvar a natureza”? É no Seminário de Coimbra novidade

Empenhado em ser “um lugar onde a Cultura e a Espiritualidade dialogam com a cidade”, o Seminário de Coimbra acolhe, na próxima segunda-feira, 26, a atividade “Humanizar através do teatro – A Importância da Compaixão” (que inclui a representação de uma peça, mas vai muito além disso). Na terça-feira, dia 27, as portas do Seminário voltam a abrir-se para receber o biólogo e premiado fotógrafo de natureza Manuel Malva, que dará uma palestra sobre “Salvar a natureza”. 

Era uma vez na Alemanha

Era uma vez na Alemanha novidade

No sábado 3 de fevereiro, no centro de Berlim, um estudante judeu foi atacado por outro estudante da sua universidade, que o reconheceu num bar, o seguiu na rua, e o agrediu violentamente – mesmo quando já estava caído no chão. A vítima teve de ser operada para evitar uma hemorragia cerebral, e está no hospital com fracturas em vários ossos do rosto. Chama-se Lahav Shapira. [Texto de Helena Araújo]

Vitrais e escultura celebram videntes de Fátima na Igreja da Golpilheira

Inaugurados dia 25

Vitrais e escultura celebram videntes de Fátima na Igreja da Golpilheira novidade

A comunidade cristã da Golpilheira – inserida na paróquia da Batalha – vai estar em festa no próximo domingo, 25 de fevereiro, data em que serão inaugurados e benzidos os novos vitrais e esculturas dos três videntes de Fátima que passarão a ornamentar a sua igreja principal – a Igreja de Nossa Senhora de Fátima. As peças artísticas foram criadas por autores nacionais, sob a coordenação do diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima, Marco Daniel Duarte.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This