Três cardeais pedem mais apoio aos bispos europeus para os refugiados de Lesbos

| 23 Fev 20

Campo de refugiados de Samos (Grécia), ilha vizinha de Lesbos, onde também há milhares de refugiados à espera de pode sair para recomeçar nova vida. Foto Valentin Herdeg, cedida pelo autor

 

Uma carta dirigida por três cardeais às conferências episcopais de toda a União Europeia (UE) pede que os bispos de cada país ajudem na recolocação dos refugiados que estão neste momento na ilha de Lesbos e tentem, em conjunto com os respectivos governos nacionais, estabelecer corredores humanitários de saída dos milhares de pessoas que estão em Lesbos.

A carta foi escrita pelos cardeais Jean-Claude Hollerich, presidente da Comissão das Conferências Episcopais da Comunidade Europeia (Comece), Michael Czerny, subsecretário da Secção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, e Konrad Krajewski, esmoleiro do Papa.

Na carta, os três cardeais recordam o apelo do Papa num Angelus em Setembro de 2015, no sentido de “paróquias, comunidades religiosas, mosteiros e santuários de toda a Europa” exprimirem “o Evangelho de modo concreto” acolhendo “ao menos uma família de refugiados”. Já nessa altura, o Papa pedira o apoio de todos os bispos europeus ao seu apelo recordando que “a misericórdia é o segundo nome do amor”, recorda a carta, divulgada pelo Vatican News.

Seis meses depois desse apelo, em Abril de 2016, o Papa esteve na ilha grega de Lesbos (localizada muito perto da costa turca). E os cardeais lembram que, depois da visita, Francisco, “consciente da dramática situação de superlotação e de sofrimento na qual se encontram mais de 20 mil refugiados naquela ilha e muitos outros milhares em vários outros pontos da Grécia, (…) nunca deixou de ajudá-los, tentando abrir corredores humanitários para a sua transferência, com dignidade, a outros países europeus”. O próprio Papa levou consigo para Roma, logo nessa viagem, uma dúzia de refugiados e os cardeais Krajewski e foram várias vezes às ilhas do Mar Egeu para verificar a situação no terreno, em nome do Papa.

Em concreto, a carta pede que os países da União Europeia e “as respectivas Conferências Episcopais deveriam” chegar a acordo sobre a criação de um corredor humanitário de Lesbos para outros campos de primeiro acolhimento na Grécia”. As experiências já tidas em alguns países mostram que há boas possibilidades de acolhimento, “superiores ao que se espera: muitos menores foram acolhidos em famílias, enquanto que os adultos foram bem recebidos nas comunidades religiosas, nas paróquias e nas famílias que se disponibilizaram”, dizem os três cardeais.

A carta, divulgada quinta-feira, dia 20, não tinha ainda, no dia seguinte, chegado à Conferência Episcopal Portuguesa, disse ao 7MARGENS o secretário da CEP, padre Manuel Barbosa.

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