Três líderes religiosos detidos por tráfico de pessoas impedidos de sair de Portugal

| 10 Jan 20

Aliança Evangélica diz que os visados não integram nenhuma comunidade que faça parte daquela federação e avisa que por vezes as autoridades confundem auxílio à imigração ilegal com apoio a pessoas em dificuldade. 

Uma cruz feita com Bíblias. Foto © Timóteo Cavaco

 

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) anunciou esta sexta-feira, 10 de Janeiro, que deteve na zona da Grande Lisboa três pessoas que identificou como pastores de uma comunidade evangélica, suspeitos de associação de auxílio à imigração ilegal e tráfico de pessoas. As três pessoas ficaram sujeitas à interdição de saída de Portugal e apresentações semanais, informou ainda o SEF, de acordo com a Lusa, citada por vários jornais.

A detenção ocorreu quinta-feira e, nos locais sujeitos a buscas, foram identificados cerca de 30 cidadãos estrangeiros, incluindo crianças, oriundos da América do Sul, alojados nos diferentes locais de culto “em condições muito precárias”.

O SEF acredita que os cidadãos eram angariados pela organização religiosa no país de origem e estarão, na sua maioria, em situação irregular em Portugal, a exercer actividade laboral subordinada sem o necessário título jurídico válido. Seriam ainda sujeitos ao pagamento de quantias de dinheiro para a organização religiosa, refere também o SEF.

Numa nota divulgada na sua página oficial, a Aliança Evangélica Portuguesa repudia “toda e qualquer prática de auxílio à imigração ilegal e tráfico humano”, e manifesta-se “disponível para colaborar” com as autoridades na “denúncia de situações similares”.

A AEP acrescenta que esses crimes ocorrem com frequência em Portugal, necessitando muitas vezes as vítimas “de cuidado e amparo que é possibilitado por muitas igrejas e associações membros” da AEP. Mas, “infelizmente também, esse apoio prestado por vezes pode ser mal interpretado pelas autoridades, como se fosse motivador da imigração ilegal, quando na verdade é apenas o auxílio humano a pessoas em dificuldade”, acrescenta o comunicado.

A AEP manifesta o total desconhecimento deste caso concreto, “apenas podendo afirmar que a igreja, da qual os alegados pastores visados alegadamente fazem parte, não é membro da Aliança Evangélica Portuguesa”. Por isso, acrescenta o texto, são “desadequadas as notícias de manchete evocando a actividade de Pastores Evangélicos, uma vez que essa actividade nada tem a ver com os crimes e por causar um alarme social quanto à prática Evangélica”.

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