
Jimmy Lai, dono do jornal Apple Daily. Foto © Kelly HoH/KFP.
Jimmy Lai, magnata dos meios de comunicação social e defensor da democracia, permanecerá em isolamento até novembro próximo, depois de um tribunal de Hong Kong ter adiado, no dia 25 de julho, o seu julgamento, noticiou esta segunda-feira, 5 de agosto, a Catholic News Agency.
Lai, jornalista católico chinês de 76 anos e fundador do jornal Apple Daily, que as autoridades de Hong Kong encerraram em 2021, declarou-se inocente no início deste ano das acusações de conspiração conjunta com uma potência estrangeira. [ver 7MARGENS]
Inicialmente previsto para começar em 2022, o julgamento foi adiado para 18 de dezembro de 2023. A acusação decorreu até 11 de junho deste ano, mas o julgamento foi novamente adiado para 20 de novembro.
A equipa jurídica de Lai interpôs recurso para anular o julgamento, alegando que a acusação não dispunha de provas suficientes. O tribunal rejeitou a tentativa, afirmando que havia provas suficientes para sustentar as três acusações contra Lai. Lai é acusado de duas ações de conspiração com potências estrangeiras e de conspiração para publicar materiais sediciosos.
Lai foi detido em sua casa em agosto de 2020, ao abrigo de uma lei de segurança nacional então instituída e aprovada pelo Governo controlado pelos comunistas chineses. A lei restringiu drasticamente a liberdade de expressão na região, num esforço para reprimir o que o Partido Comunista Chinês considerava subversão e sedição na região de Hong Kong.
O jornalista pode ser condenado a prisão perpétua se o tribunal der como provadas estas acusações. De acordo com o seu advogado, Robert Pang, o editor deverá testemunhar em sua própria defesa.
Detido desde o final de 2020, Lai foi condenado por envolvimento em protestos e reunião não autorizada em 2021 e sentenciado a 17 meses de prisão. Em 2022, Lai foi condenado a cinco anos e nove meses de prisão por fraude. O atual julgamento foi sucessivamente adiado como pressão governamental para o impedir de escolher o seu próprio advogado. O jornalista passou mais de três anos e meio em confinamento solitário desde a sua detenção em dezembro de 2020.
Segundo o seu biógrafo Mark Clifford, Lai apoia-se na sua fé católica para se fortalecer. Aderiu à Igreja Católica em 1997 com o apoio da sua mulher, Theresa, com quem casou em 1991.









