Angelo Becciu

Tribunal do Vaticano vai julgar um cardeal pela primeira vez

| 3 Jul 2021

cardeal angelo becciu, Foto Vatican Media

“O cardeal Giovanni Angelo Becciu foi agora acusado pelo Tribunal do Vaticano dos crimes de peculato, suborno, abuso de funções e cumplicidade.” Foto: Vatican Media.

 

O cardeal Giovanni Angelo Becciu, destituído com perda de direitos e privilégios cardinalícios pelo Papa Francisco no final de 2020, foi agora acusado pelo Tribunal do Vaticano dos crimes de peculato, suborno, abuso de funções e cumplicidade.

A informação pormenorizada foi divulgada este sábado, 3 de julho, pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

No mesmo processo foram também acusadas mais nove pessoas, tendo o juiz considerado procedentes todas as propostas submetidas pelo Gabinete Promotor de Justiça. A primeira sessão do julgamento está prevista para o próximo dia 27.

Será a primeira vez que um cardeal será julgado num tribunal do Vaticano, conforme faz notar o jornal Crux. Segundo este meio informativo, o cardeal Becciu reiterou de imediato, pelo seu advogado, a sua “inocência absoluta”, considerando ter sido “vítima” de um “julgamento mediático”. O tribunal declarará, disse, “a absoluta falsidade” das acusações.

Em causa está um complexo processo, iniciado há sete anos na Secretaria de Estado do Vaticano, de aquisição de um quarteirão na Avenida Sloane, em Londres, que se destinaria à construção de apartamentos de luxo. O processo de compra estava avaliado em cerca de 310 milhões de euros.

O atual cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, e o atual substituto não surgem indiciados neste processo. Segundo os promotores, as investigações levaram a concluir que eles “não estavam totalmente cientes” dos detalhes das manobras financeiras.

Entre os nove acusados encontra-se o ex-presidente da Autoridade de Informação Financeira do Vaticano, um monsenhor que exerceu as funções de secretário do cardeal Becciu, vários peritos financeiros externos e responsáveis pela gestão financeira e administrativa no Vaticano. A única mulher também envolvida é acusada de ter recebido “somas consideráveis da Secretaria de Estado para realizar atividades de tráfico de informação”. Várias empresas a que alguns dos acusados se encontravam ligados surgem igualmente implicadas.

Os crimes apontados a todos estes acusados preenchem uma longa lista que vai da corrupção, extorsão, lavagem de dinheiro e abuso de funções, até desvio de fundos, violação do dever de sigilo, peculato, fraude, entre outros.

“A iniciativa judicial – sublinha o comunicado de imprensa – está diretamente ligada às indicações e reformas” do Papa Francisco, “no trabalho de transparência e reorganização das finanças vaticanas; trabalho que, segundo a hipótese acusatória, foi contrastado por atividades especulativas ilícitas e prejudiciais no nível de reputação nos termos indicados no pedido de indiciamento.”

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência”

Cartas de Luiza Andaluz em livro

“Seria grande caridade tratar do caso com urgência” novidade

Preocupações com um homem que estava preso, com o funcionamento de uma oficina de costura para raparigas que não tinham trabalho, com a comida para uma casa de meninas órfãs. E também o relato pessoal de como sentiu nascer-lhe a vocação. Em várias cartas, escritas entre 1905 e 1971 e agora publicadas, Luiza Andaluz, fundadora das Servas de Nossa Senhora de Fátima, dá conta das preocupações sociais que a nortearam ao longo do seu trabalho e na definição do carisma da sua congregação.

Agenda

Fale connosco

Pin It on Pinterest

Share This