Turquia acusa padre de “terrorismo” por ter dado pão a militantes o PKK

| 12 Fev 20

Padre Sefer Bileçen, da Igreja Assíria Ortodoxa, acusado de terrorismo na Turquia. Foto: Direitos reservados

 

O padre Sefer Bileçen e outros dois cristãos da Igreja Assíria Ortodoxa foram detidos na Turquia, com o padre a ser acusado de “terrorismo”, alegadamente por ter dado pão a um membro do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK). Detidos dia 9 de Janeiro e acusados dia 16, só no passado dia 8 de Fevereiro a informação foi libertada pelas autoridades turcas, na sequência de denúncias de activistas e crentes através das redes sociais.

Sefer Bileçen residia no mosteiro de Mor Yakup, ou São Jacob em Nisibis, na província de Mardin (sudeste do país). Os outros dois presos serão Musa Tash Takin, de Sidri, e Youssef Yar, de Üçköy, e acordo com o Christian Post, que cita a agência de notícias pró-curda Mezopotamya.

Área de maioria curda, a região tem registado episódios de tensão com o governo central desde há muito, recorda a agência AsiaNews.

De acordo com a mesma fonte, nenhuma razão foi até agora adiantada para a prisão do padre Bileçen e dos dois companheiros. Mas fontes locais citadas pela AsiaNews, agência católica de informação sobre a Ásia, informaram que o procurador teria interditado o acesso à informação e que a razão invocada teria sido “terrorismo”.

Se for verdadeira esta acusação, Bileçen pode enfrentar entre cinco a 10 anos de cadeia, “por distribuir pão aos membros do PKK”, partido proibido no país e cujo líder, Abdullah Öcalan, está detido desde 1999.

O mosteiro, construído em 1500, mas que estava em ruínas, foi reaberto pelo padre Sefer Bileçen. Contactado pela International Christian Concern, Uzay Bulut, jornalista turco há anos nos Estados Unidos, dizia que a prisão dos três assírios “pode estar ligada aos conflitos incessantes entre o PKK e o exército turco”.

De acordo com o jornalista, “os assírios estão no meio desses dois grupos hostis”. Entre as décadas de 1980 e 1990, acrescenta a AsiaNews, no auge do conflito armado entre curdos e turcos, milhares de aldeias assírias no sudeste do país foram evacuadas. E muitos cristãos foram forçados a abandonar as suas casas para fugir ao conflito.

Bandeira do Partido dos Trabalhadores do Curdistão

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