
A praça de Santa Sofia, no centro de Kyiv, iluminada no Natal de 2021. Foto © Київська міська рада, via Wikimedia Commons
Uma boa parte dos ucranianos celebram este ano pela primeira vez o Natal em 25 de dezembro e não, como tem sido tradição e determina o calendário juliano, em 7 de janeiro, juntando-se, desse modo à maioria dos países europeus.
A medida, tomada pelo governo de Zelensky, entrou em vigor em setembro último e é assumida quer pela Igreja Greco-Católica quer pela Igreja Ortodoxa da Ucrânia, que se afastou de Moscovo na última década e foi reconhecida como autocéfala (autónoma) pelo patriarca Bartolomeu de Constantinopla.
O problema foi suscitado no Natal de 2022, o primeiro vivido depois da invasão do país pela Rússia e de uma guerra que contou com a cobertura do patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, à qual a maioria dos ortodoxos ucranianos estavam ligados. Já então, em várias igrejas se verificou um movimento a favor da festa natalícia em dezembro, como forma de simbolizar o afastamento da Rússia e de sintonizar com os países apoiantes da Ucrânia. [ver 7MARGENS]
De acordo com sondagens realizadas já depois de entrado em vigor o novo calendário, citadas pela edição ucraniana do site da BBC, “42 por cento dos ucranianos tencionam celebrar este novo estilo de Natal, enquanto apenas 17% pretendem celebrar o Natal a 7 de janeiro, de acordo com o antigo calendário. E mais de 20% responderam que celebrariam as duas datas”.
Será que a mudança da festa do Natal poderá trazer uma trégua nos combates? A resposta é de um capelão ucraniano que se encontra na linha da frente, em declarações à Reuters, citadas pelo site DHnet:
“O que se passa é que, para nós, o inimigo não tem Deus, pelo que este será apenas mais um dia de guerra”.










