
Para a secretária-geral da Amnistia Internacional, é essencial que o mundo não esqueça “as vítimas e a angústia das famílias afetadas” por este conflito. Foto © Unfpa Palestina/Media Clinic
No dia em que se assinalou um ano desde os ataques do Hamas no sul de Israel e o início da ofensiva das forças israelitas em Gaza, a secretária-geral da Amnistia Internacional (AI), Agnès Callamard, publicou um novo apelo ao cessar-fogo e à libertação imediata e incondicional daqueles que foram feitos reféns. Nas duras palavras da responsável, o facto de o conflito prosseguir é “um fracasso de toda a humanidade”.
“Enquanto a guerra prossegue sem fim à vista, a necessidade de um cessar-fogo, de respeito pelo direito internacional e pelos direitos de todas as vítimas à verdade, à justiça e à reparação é mais premente do que nunca. É vergonhoso e um fracasso coletivo da humanidade que, um ano depois, ainda não tenha havido um cessar-fogo, ainda não tenha havido libertação de reféns. Tais atrocidades nunca deveriam ter sido cometidas e muito menos permitir que continuassem a ser cometidas”, afirma Callamard na declaração divulgada esta segunda-feira, 7 de outubro, pela organização de defesa dos direitos humanos.
“Este aniversário – defende – é um lembrete sóbrio da necessidade urgente de abordar as causas profundas, cortar o fornecimento de armas a todas as partes e acabar com a impunidade de longa data que tem visto as forças israelitas, o Hamas e outros grupos armados desrespeitarem o direito internacional durante décadas sem temerem quaisquer consequências”.
Para a secretária-geral da Amnistia Internacional, é essencial que o mundo não esqueça “as vítimas e a angústia das famílias afetadas” por este conflito. E recordando que o 7 de outubro é não só “um dia de luto para os israelitas” como “assinala também um ano desde a terrível ofensiva das forças israelitas em Gaza” que está a colocar “os palestinianos em Gaza em risco de genocídio”, a declaração termina com um novo apelo a um “cessar-fogo imediato e à libertação imediata e incondicional dos reféns civis detidos pelo Hamas e outros grupos armados e de todos os palestinianos detidos ilegalmente por Israel”.
“Chegou a hora da libertação dos reféns”, de “silenciar as armas” e de “acabar com o sofrimento que tomou conta da região”, afirmou por seu lado o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, numa mensagem em vídeo divulgada no passado sábado.
Um ano após os acontecimentos do que classifica de “dia terrível”, António Guterres disse que o ataque “deixou cicatrizes nas almas”.
Para o líder da ONU, neste dia 7 de outubro é preciso recordar “todos aqueles que foram brutalmente mortos e sofreram violência indescritível, incluindo violência sexual, enquanto simplesmente viviam as suas vidas”.
E insistiu que a comunidade global deve “repetir na mais alta voz a condenação total dos atos abomináveis do Hamas, incluindo a tomada de reféns”.
Assumindo-se incapaz de imaginar “a tortura que são obrigados a suportar todos os dias” os familiares dos reféns, António Guterres exigiu mais uma vez a libertação imediata e incondicional de todos eles e defendeu que, até lá, o Hamas deve permitir que o Comitêé Internacional da Cruz Vermelha os visite.
Guterres assinalou ainda que, desde o dia 7 de outubro, irrompeu uma “onda de violência chocante e derramamento de sangue”. Um conflito que continua a “destruir vidas e a infligir profundo sofrimento humano aos palestinos em Gaza, e agora ao povo do Líbano”.
Mas no meio de tanto “derramamento de sangue e divisão, devemos manter a esperança”, terminou Guterres, defendendo a continuidade do trabalho por uma solução duradoura para o conflito, “onde Israel, a Palestina e todos os outros países da região possam finalmente viver em paz e dignidade e com respeito mútuo”.









