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Campanha #freejimmylai (c) The Committee for Freedom in Hong Kong Foundation

Após 1.500 dias de prisão

Um apelo aos líderes mundiais – e ao Papa – para exigir a libertação de Jimmy Lai

| 10/02/2025

“Os líderes mundiais devem ligar para [o Presidente da China] Xi Jinping e exigir a libertação de [Jimmy] Lai. As figuras públicas devem manifestar-se. Mas há um líder mundial em particular acima de todos os outros, cujo silêncio até agora tem sido ensurdecedor, e que deveria falar. E esse é o Papa Francisco.” Eis o apelo de Benedict Rogers, ativista britânico de direitos humanos e cofundador do Hong Kong Watch, publicado pela agência UCA News no passado dia 7 de fevereiro, data em que se cumpriram 1.500 dias desde a prisão do empresário da comunicação social e defensor da democracia.

Assumidamente católico, tal como o próprio Jimmy Lai, Benedict Rogers escreveu este apelo no âmbito da campanha #FreeJimmyLai (em português, “Libertem Jimmy Lai”).

“Lai, agora com 77 anos, cidadão britânico e católico devoto, está mantido em confinamento solitário e supostamente só tem permissão para fazer 50 minutos de exercícios por dia. Isso significa que ele passa mais de 23 horas por dia sem luz natural, ar fresco ou contacto humano, exceto com os guardas da prisão. Diabético, ele viu ser-lhe negado atendimento médico independente e as preocupações sobre a sua saúde debilitada estão a crescer”, pode ler-se no apelo.

Preso devido a “múltiplas acusações forjadas” – entre elas o facto de ter acendido uma vela numa vigília que assinalava o massacre de Tiananmen, ou de ter participado num protesto pacífico em 2019 – e obrigado a encerrar o Apple Daily, jornal que fundou, porque supostamente não poderia “usar uma sala no prédio do seu jornal como escritório pessoal”, Jimmy Lai continua em julgamento “sob a draconiana Lei de Segurança Nacional de Hong Kong, que começou há mais de um ano”, recorda o ativista britânico.

“Ainda está a pelo menos alguns meses de um veredito e, quando ele sair, a sentença que provavelmente receberá será de no mínimo dez anos, segundo a lei. E não se espera que Pequim erre por excesso de leniência. Então, 1.500 dias depois, tudo o que se pode dizer é que, a menos que algo mude, Lai pode muito bem passar o resto da vida na prisão. Em outras palavras, é provável que ele morra na prisão”. continua Benedict Rogers.

Magnata dos média em Hong Kong declara-se inocente, mas ainda arrisca prisão perpétua

Recordando que Jimmy Lai “ingressou no ramo dos média como uma forma de apoiar os valores da democracia, liberdade e direitos humanos e desafiar a tirania de Pequim” precisamente após o massacre de Tiananmen, e que em vez de ter abandonado Hong Kong para desfrutar de uma vida confortável e pacífica noutro lugar, preferiu “sacrificar tudo pelos seus princípios”, Benedict Rogers defende que Lai “está mais livre dentro das grades de sua cela do que muitos líderes políticos e empresariais que se curvam a Pequim”.

Líderes esses a quem o ativista dirige este apelo: “Ao presidente dos EUA, Donald Trump, e ao seu secretário de Estado, Marco Rubio; ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e ao secretário de Relações Exteriores, David Lammy; aos líderes da União Europeia e seus estados-membros, bem como ao Canadá, Austrália, Japão, Coreia e outras democracias; ao secretário-geral das Nações Unidas e aos líderes da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN); e aos políticos, intelectuais, empreendedores, dissidentes, artistas, escritores, jornalistas, editores, sociedade civil, líderes religiosos e pessoas de boa vontade em todo o mundo — que um chamado claro seja feito hoje: #FreeJimmyLai. Tuíte. Grite. Escreva sobre isso. Proteste. Reze. Cante sobre isso”.

Ao Papa pede, especificamente, que “use a sua voz, a sua plataforma e, mais importante, as suas orações para garantir a libertação de uma das figuras católicas mais proeminentes e devotas do mundo, Jimmy Lai”. No seu apelo, Rogers sugere que Francisco mencione a situação de Jimmy Lai na alocução pública após o Angelus de domingo e que “na primeira oportunidade, por favor, se encontre com o corajoso filho de Lai, Sebastien. Não como um ato político. Mas como um ato pastoral”.

E questiona: “Com Lai supostamente privado da Sagrada Comunhão por mais de um ano, os seus direitos mais básicos à liberdade religiosa, sustento espiritual e dignidade humana não deveriam ser preocupação da Igreja e do Papa?”.

O ativista conclui, estendendo o apelo: “que todos nós, católicos e pessoas de todas as religiões e nenhuma, padres, religiosos, cardeais, arcebispos, bispos e leigos ao redor do mundo, se prezamos a liberdade — quaisquer que sejam nossas crenças religiosas ou políticas — resolvamos falar com um clamor retumbante, ensurdecedor e, no final, eficaz: #FreeJimmyLai”.

(Foto de destaque: Cartaz da campanha #FreeJimmyLai. © The Committee for Freedom in Hong Kong Foundation)

 

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