Asia Bibi absolvida ao fim de nove anos de cativeiro

| 31 Out 18

Por causa de um copo de água, Asia Bibi foi condenada à morte no Paquistão. Por causa de Asia, uma jornalista francesa foi semanalmente à prisão ouvir a sua história. Há sete anos, assim começava um texto com uma entrevista a Anne-Isabel Tollet, a jornalista da France 24 que se interessou pelo caso de Asia e tentou alertar o mundo para ele.

Demorou mais sete anos, com muita gente a lutar e a falar do caso – incluindo o Papa Francisco, que recebeu o marido e os filhos. Emblema de tantas pessoas – católicas, protestantes e ortodoxas, muçulmanas, e judias, budistas e hindus ou de muitos outros credos – que, em todo o mundo, são perseguidas por causa da fé que têm, Asia Bibi foi ontem, finalmente, absolvida pelo Supremo Tribunal do Paquistão do crime de que tinha sido acusada. A notícia levou o seu marido e filhos, como relata a Ajuda à Igreja que Sofre, a manifestar o seu contentamento. E o advogado de Asia, o muçulmano Saiful Malook, acrescentou que esta é uma grande notícia para o Paquistão e para o resto do mundo.

Pode dizer-se que, num tempo em que crescem por todo o mundo as ameaças à liberdade, esta é, porventura, a melhor notícia do dia. Ainda mais pelo carácter absolutamente arbitrário e absurdo da acusação contra Asia.

Como dizia Anne-Isabel Tollet na entrevista citada, este caso traduz também a responsabilidade do Ocidente, que não acaba nas guerras do Afeganistão e do Iraque. E que uma lei como a que proíbe a burqa, em França, ou o aumento da islamofobia e do antisemitismo, ou a recusa do acolhimento a refugiados na Europa, pode ser causa de aumento do ódio contra os cristãos nos países de maioria muçulmana.

Asia Bibi foi presa, em 2009, por ter retirado um copo de água de um poço, enquanto trabalhava no campo. Acusada por mulheres muçulmanas de conspurcar a água que lhes pertencia, reagiu, defendendo-se, e à sua fé cristã. O facto valeu-lhe a acusação de blasfémia e a pena de morte. Durante estes anos, não podia ver ninguém, à excepção do marido (que viveu escondido, tal como os filhos do casal) e do advogado.

Correspondente da France 24 em Islamabad durante três anos, Anne-Isabel Tollet recolheu o depoimento de Asia Bibi, durante dois meses. O livro foi publicado em Portugal com o título Blasfémia (ed. Alêtheia).

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