Um caminho de quem procura o que perdeu

| 14 Dez 18

O disco começa num tom de caminho esforçado, talvez um pouco melancólico, de quem procura o que perdeu: “Onde te escondeste, Amado…?” Cresce, depois, para perguntas e respostas, num diálogo entre a esposa e o esposo, onde se percebe a inspiração do Cântico dos Cânticos mas que procura, aqui, figurar a atracção da alma (esposa) por Cristo (o esposo, ou Amado).

Amancio Prada, que se tem dedicado a trabalhar poesia de grandes poetas espanhóis como Federico Garcia Lorca ou Rosalía de Castro, musicou o Cântico Espiritual em 1977 (já lá vão quatro décadas). O disco foi já reeditado sucessivamente, em diferentes versões (algumas com outras canções e poesias de São João da Cruz). No dia em que se celebra a festa litúrgica do místico espanhol, vale a pena trazer aqui esta obra maior da poesia espanhola.

Nos seus nove andamentos, a linguagem simbólica e enigmática do Cânticosão aqui traduzidas, como que num movimento de continuidade, pela música, voz e guitarra de Amancio Prada, aqui acompanhado por Jesús Corvino (violino) e Eduardo Gattioni (violoncelo). Isso mesmo escreveu Maria Zambrano em 1982, num comentário citado no disco: “Não se perde na formosura, não se embriaga na voz nem um instante. Música e voz não aparecem, pois, acrescentadas, mas extraídas do próprio poema. Núpcias de palavra e musicalidade.”

Título: Cantico Espiritual

Autor: Amancio Prada

Edição: Parlophone

www.amancioprada.com

Breves

Boas notícias

Navio de resgate apoiado pela Igreja Protestante prestes a partir para o Mediterrâneo

Navio de resgate apoiado pela Igreja Protestante prestes a partir para o Mediterrâneo

Chegaram esta terça-feira, 11 de agosto, ao navio de resgate de migrantes Sea Watch 4 os últimos membros da tripulação. Os treinos e exercícios já começaram, e ainda esta semana será dada a partida do porto de Burriana (Valencia, Espanha) para o centro do Mediterrâneo, numa missão tornada possível devido à iniciativa da Igreja Protestante Alemã e ao apoio de mais de 500 organizações que participaram na campanha de recolha de fundos (crowdfunding) #WirSchickenEinSchiff (“Nós enviamos um navio”).

Outras margens

Cultura e artes

A carne, a história e a vida: uma viagem fascinante

A tradição espiritual cristã, radicada na Boa-notícia gerada pelo Novo Testamento, permanece ainda um continente a explorar para muitos dos discípulos de Jesus. A expressão mística contém uma carga associada que não ajuda a visitar o seu espaço: associamo-la a uma elite privilegiada, a fenómenos extraordinários, a vidas desligadas dos ritmos e horários modernos.

Manuel Cargaleiro oferece painel de azulejos a paróquia de Lisboa

Foi como “escrever uma oração” ou fazer “o ramo mais bonito para Deus”. Assim definiu o pintor e ceramista Manuel Cargaleiro o seu mais recente trabalho: um painel de azulejos, que ofereceu à Paróquia de São Tomás de Aquino, em Lisboa. A cerimónia de inauguração e bênção decorreu esta segunda-feira e contou com a presença do autor, avança o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.

Mais de 700 músicos britânicos unidos contra o racismo

De Rita Ora a Placebo, passando por James Blunt, Leona Lewis, Lewis Capaldi, ou Little Mix, a lista de músicos, bandas, compositores, produtores, agentes e editores que assinaram uma carta aberta contra o racismo e a discriminação conta com mais de 700 nomes. A missiva foi publicada este domingo pela revista Variety e surge na sequência dos protestos Black Lives Matter e de uma polémica recente envolvendo o rapper britânico Wiley, acusado de fazer publicações antissemitas nas suas redes sociais.

Pessoas

Sete Partidas

STOP nas nossas vidas: Parar e continuar

Ao chegar aos EUA tive que tirar a carta condução novamente. De raiz. Estudar o código. Praticar. Fazer testes. Nos EUA existe um sinal de trânsito que todos conhecemos. Porque é igual em todo o mundo. Diz “STOP”. Octogonal, fundo branco, letras brancas. Maiúsculas. Impossível não ver. Todos vemos. Nada de novo. O que me surpreendeu desde que cheguei aos EUA, é que aqui todos param num STOP. Mesmo. Não abrandam. Param. O carro imobiliza-se. As ruas desertas, sem trânsito. Um cruzamento com visibilidade total. Um bairro residencial. E o carro imobiliza-se. Não abranda. Para mesmo. E depois segue.

Visto e Ouvido

Agenda

Entre margens

Plano de recuperação… Também social? novidade

Deste modo, corre-se o risco de persistir a subalternidade dos problemas e dinamismos sociais perante a força da economia. Talvez se atenuasse, ou infletisse, a subalternidade se fosse cumprida a Constituição da República no articulado relativo aos planos de desenvolvimento económico e social (artºs. 90º.-91º.); e, melhor ainda, se fosse promovido o desenvolvimento local, a partir da freguesia e do protagonismo de cada pessoa e instituição.

Esta crise das lideranças é dramática

Mesmo na velha Europa o que vemos são indivíduos muito pequeninos, em dívida para com a ética política, a moral pessoal e desprovidos de sentido de estado. A corrupção ronda estas figuras e contam-se pelos dedos das mãos as que conseguem manter uma postura decente. Temos ainda os grupos extremistas de direita e de esquerda que ameaçam os regimes democráticos, os quais por sua vez se vão deixando colapsar aos poucos por dentro.

Fale connosco