No fim do processo, “nem um centímetro” da Diocese de Portalegre – Castelo Branco deve “ficar sem ser coberto por um conselho pastoral paroquial” (ou interparoquial se necessário e conveniente). Foi o desafio do bispo Pedro Fernandes à diocese de que assumiu a tarefa de pastor ainda não há um ano. Esta é talvez a melhor síntese do que foi a “Assembleia Diocesana”, no dia 6 de outubro, em Ponte de Sor, a que várias centenas de pessoas responderam participando de um modo ativo. A resposta excedeu as expetativas e sobrelotou os espaços de acolhimento.

Assembleia Diocesana: este foi também um dia de convívio e de animação. Foto retirada de página oficial da Diocese no Facebook .
Convocada sob o lema “Constrói a minha Igreja – Unidos na missão”, em referência aos 800 anos da morte de Francisco de Assis, que naqueles dias se celebrava, a jornada tinha por função viver a comunhão da igreja diocesana e lançar uma nova dinâmica pastoral. O ponto de partida foi claro: o mundo mudou e o que foi eficaz tem deixado de o ser; a fidelidade ao essencial não pode ser confundida com a manutenção do circunstancial. Daí o chamamento para “escutar, discernir e aprender” e assim dar resposta aos novos tempos. Para isso, o bispo Pedro Fernandes anunciou um caminho em três tempos, com vista a dotar de mais vigor a visita pastoral que lhe cabe fazer.
Primeiro, um tempo de aprendizagem e organização do processo. Depois, a criação de conselhos pastorais, um em cada paróquia que não o tenha ou reforço dos que existem. Finalmente, uma visita pastoral por concelho em que o bispo vai celebrar a comunhão, confirmar a caminhada feita e relançar o dinamismo local. “Vamos fazer o caminho juntos, isso é a sinodalidade”.
“Missão e sinodalidade” a que “todos somos chamados” foram expressões repetidas com insistência. O bispo Pedro Fernandes afirmou que “Não estamos a começar” explicando que já nos tempos dos dois últimos bispos, Augusto César e Antonino Dias, se trabalhou para dotar cada paróquia de conselho pastoral. Agora, “temos de ir dando mais passos.”
Esta referência remete para alguma incerteza sobre os resultados. Já antes se quis, mas a resistência ou inércia então encontrada obriga a que o desafio seja agora retomado. Veremos se com melhores resultados. Talvez a “juventude” do novo bispo e a sua experiência missionária em Moçambique tragam uma nova energia ao processo.
No final da jornada, as pessoas davam sinais de estarem sintonizadas com o que se tinha passado. Mas isso não substitui os “passos” que são necessários para responder aos desafios do presente.

Assembleia Diocesana:” no final da jornada, as pessoas davam sinais de estarem sintonizadas com o que se tinha passado. Mas isso não substitui os “passos” que são necessários para responder aos desafios do presente.” Foto retirada de página oficial da Diocese no Facebook .
José Alves Jana é doutorado em filosofia, professor aposentado, voluntário e dirigente associativo. Contacto: jalvesjana@gmail.com










