Um documento para praticar

| 11 Out 2022

“O certo é que o documento “Relatório Portugal” não deixa de ser o pensamento do Povo de Deus, daquele que quis colaborar na audição”.

 

O documento que foi publicado, uma síntese do que pensa o Povo de Deus, em Portugal, chamado “Relatório Portugal”, que contém as opiniões dos homens e mulheres que se fizeram ouvir em Portugal sobre o Sínodo 2023, foi objeto de algumas críticas, depois de publicado, em forma de “cartas abertas”. Embora, surpreendentemente, estas “cartas” tivessem o dom de fazer reunir o conselho permanente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), que sentiu a obrigação de tentar sossegar os mais conservadores portugueses da Igreja Católica romana, não deixou de ser um documento de todos e todas que quiseram dar a sua opinião sobre a Igreja. Aqueles e aquelas que não o fizeram ou devem andar muito fora dos meios da Igreja, ou não o quiseram fazer ou, até, estão distraídos. Antes ou depois da sua excelente elaboração, todos os cristãos e cristãs podem dar as suas opiniões, são livres, porque foram libertos para a liberdade por Jesus Cristo, mas que queiram alterar o sentir e o pensar do Povo de Deus chamado a pronunciar-se, também livremente, é que não possuem esse direito. O documento aí está, muito, diga-se, cercado pelo clero, mas não deixa de ser um sopro inovador para a tão ultrapassada Igreja portuguesa, que bem merece este vento do Espírito do Senhor.

Sob o nome de jovens da igreja, sob o nome de “personalidades” ou, mesmo, de algum clero aterrorizado por perder o “poder”, essas cartas abertas, com todo o direito de serem escritas, é certo, movem-se pelo conservadorismo ou melhor pelo “venturismo” – palavra que começa a existir –, na defesa de práticas que não são, na minha opinião, forjadas nas lutas por um Evangelho ao serviço de todos e todas. O certo é que a CEP correu de imediato a sossegar os “críticos”, como não tem sido tão célere em outras ocasiões. O certo é que o documento “Relatório Portugal” não deixa de ser o pensamento do Povo de Deus, daquele que quis colaborar na audição. Estejam descansados os “críticos” que os pontos mais importantes deverão ser esquecidos, como foi o documento sobre o “Sínodo da Amazónia”, que depois de aprovado, foi ignorado nas suas linhas principais, por exemplo, a ordenação de mulheres.

Mas certo é que produziu uma reflexão por parte dos cristãos e outros não-cristãos – estes poucos, infelizmente –, que não será esquecido, não voltaremos para trás nos pensamentos e ideias sobre o que deverá ser a Igreja do hoje. Este “Relatório Portugal”, síntese de muitos outros relatórios, deverá constituir uma base excelente para uma prática consciente de que é necessário alterar tantas coisas no pensamento da Igreja – não tenhamos dúvidas de que é produzido sob influência do Espírito Santo -–, no seu agir e na sua prática, e é praticando que se verificará o quanto é necessário não só uma nova gramática, mas, também, uma alteração profunda do todo da Igreja. Uma (re) educação do clero é, desde logo, uma prioridade que “ontem já era tarde”, para um espírito sinodal consequente.

 

Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.

 

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