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O patriarca Rui Valério e o padre Tiago Fonseca acompanharam o grupo de peregrinos das paróquias da Ericeira e Carvoeira no Jubileu dos Adolescentes. Foto César Moreira
O patriarca Rui Valério (à esquerda da cruz) e o padre Tiago Fonseca (à direita) acompanharam um grupo de 130 peregrinos das paróquias da Ericeira e Carvoeira a Roma. Foto: César Moreira

Testemunho

Um Jubileu atípico!

| 19/05/2025

2025 é ano de Jubileu! O convite para estarmos todos, todos, todos em Roma para o celebrar foi estendido pelo Papa Francisco em plena Jornada Mundial da Juventude em Lisboa. Nas paróquias da Ericeira e Carvoeira (diocese de Lisboa), o chamamento a este convite foi semeado e ouvido!

Fizemo-nos ao caminho 130 peregrinos, entre adolescentes e adultos, liderados pelo nosso pároco, o Padre Tiago Fonseca, e pelas responsáveis da catequese, a Tuca e a Ana Eira, junto com uma maravilhosa equipa de catequistas que trabalhou de forma incansável nesta organização e na angariação de fundos para que tudo se tornasse possível. Alguns de nós, pais de adolescentes, fomos convidados a acompanhar o grupo enquanto animadores.

Mas esta peregrinação foi muito além do Jubileu e os imprevistos e as surpresas tomaram conta da viagem! Ainda antes de partirmos, a primeira surpresa foi a notícia de que o nosso Patriarca, D. Rui Valério, iria acompanhar-nos.

Nada acontece por acaso e Roma surgiu na minha vida para mostrar que Deus quer mais de mim e de todos nós.

É que não era suposto eu ir a Roma! Quem estava inscrita como animadora era a minha esposa. Mas Deus trocou-nos as voltas e acabei por ter de ser eu a acompanhar o grupo. Curiosamente, em 1995, há 30 anos, já tinha estado em Roma numa peregrinação com 300 jovens da diocese de Lisboa, acompanhados por D. António Ribeiro.

Depois, alguns dias antes de viajarmos, surgiu o anúncio: o Papa Francisco partira para junto do Pai. Esta notícia soou a repetição… Há 20 anos, em 2005, uma semana antes de partir para uma visita à comunidade de Taizé, também soubemos que o prior da comunidade, o irmão Roger, tinha morrido. Há 20 anos, tal como agora, um misto de melancolia e de alegria assolou-me, por saber que iria participar nas cerimónias fúnebres.

Várias das atividades planeadas para este Jubileu dos adolescentes foram canceladas, mas, dentro de mim (nós), crescia o sentimento de que tudo acontecera para que pudéssemos orar pelo nosso Papa. Não o celebraria na vida, mas celebrá-lo-ia na morte e no seu caminho para junto do Pai.

Chegámos a Roma na quinta-feira, dia 24 de abril, ao anoitecer. Esperava-nos a paróquia de S. João Crisóstomo, a cerca de 11km do centro de Roma. O seu pároco, padre Massimo Tellan, junto com alguns voluntários, nomeadamente a Monica e o Alessandro, foram generosos anfitriões.

O grupo de peregrinos da Ericeira e Carvoeira foi acolhido pela paróquia de S. João Crisóstomo, a cerca de 11km do centro de Roma. Foto: Direitos reservados

O grupo de peregrinos da Ericeira e Carvoeira foi acolhido pela paróquia de S. João Crisóstomo, a cerca de 11km do centro de Roma. Foto: Direitos reservados

No silêncio da noite de quinta-feira, soubemos que a Basílica de S. Pedro iria estar aberta até de madrugada e alguns de nós, prevendo que seria talvez a única oportunidade, apanhámos um transporte e rumámos ao Vaticano para poder velar o corpo do nosso querido Papa. No meio de alguma multidão, conseguimos descobrir o silêncio do respeito pelo que ali fazíamos. Um misto de emoções transbordou para fora de mim e tudo fazia sentido por estar ali!

Os restantes dias desta peregrinação foram frenéticos! Entre a aventura de conseguir as refeições através dos vouchers da organização, a correria dos transportes públicos e a azáfama da visita a alguns monumentos no tempo livre que tínhamos, conseguimos ter momentos de pausa, ponderação e reflexão muito importantes e marcantes: participámos na Via Lucis, cujo texto foi escrito pelo padre que nos acolheu, D. Massimo; celebrámos a eucaristia com o nosso patriarca na nossa paróquia de acolhimento; celebrámos a eucaristia no funeral do Papa; fizemos em conjunto o caminho desde a Via dela Conciliazione até à Basílica de S. Pedro para atravessar a Porta Santa, onde nos emocionámos a cantar e a rezar; e terminámos no último dia com uma oração junto do túmulo do Papa Francisco, na Basílica de Santa Maria Maior.

O grupo de peregrinos da Ericeira e Carvoeira prestes a atravessar a Porta Santa na Basílica de S. Pedro. Foto: César Moreira

O grupo de peregrinos da Ericeira e Carvoeira prestes a atravessar a Porta Santa da Basílica de S. Pedro. Foto: César Moreira

Ao contrário do que esperava, a missa final deste Jubileu acabou por ser a única atividade que me desconsolou um pouco. A celebração não esteve focada nos adolescentes, sendo uma eucaristia bastante formal. Além disso, como qualquer pessoa podia participar, imensas crianças não puderam entrar no recinto e tiveram de se contentar em olhar para um ecrã bem longe da Praça de S. Pedro. Tendo em conta todos os constrangimentos que esta peregrinação teve, creio que teria feito sentido ser uma eucaristia apenas para os peregrinos. De qualquer forma, estava feliz por tudo o que vivemos!

Com todas as atribulações que passámos, o regresso a casa também teria de ter as suas peripécias. Era suposto regressarmos no dia 28, segunda-feira, mas…  deu-se um apagão! Entre alguma incógnita e alguma confusão, dois nos nossos voos foram cancelados e ficámos 101 peregrinos “presos” em Roma por mais dois dias. Felizmente, tudo correu muito bem e tivemos uma enorme lição por parte dos nossos adolescentes sobre o saber estar! Mesmo cansados, com muitos quilómetros nas pernas, poucas horas de sono e uma alimentação atípica, souberam mostrar que são diferentes. Perceberam as circunstâncias excecionais da situação e mostraram o quão fantásticos conseguem ser! É algo que me encheu o coração! Foram pacientes, responsáveis e atenderam sempre ao que lhes ia sendo pedido. Há esperança nesta juventude!!!

E agora… “Quo Vadis?”

 

César Moreira é jagoz, professor, e de espírito eternamente jovem, com ocasionais pitadas de ponderação e reflexão.

 

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