Foi em plena Grand-Place, no centro de Bruxelas, que se deu o inesperado desaparecimento: o presépio, que ali havia sido montado dias antes, ficou sem aquele que é porventura o seu elemento principal, o menino Jesus. A figura vinha sendo alvo de críticas nas redes sociais pelo facto de a autora ter decidido representá-la sem olhos, nariz ou boca. Mas as autoridades não contavam com este desfecho.
Retirado do seu berço entre a noite da passada sexta-feira, 28 de novembro, e a madrugada de sábado, o menino Jesus integrava um presépio criado pela designer belga Victoria-Maria Geyer. A obra foi concebida em tecido, sem quaisquer características identificadoras nos rostos humanos, na esperança de que “todos os católicos, independentemente da sua origem ou formação, possam identificar-se” com a história bíblica do nascimento de Cristo, explicou a autora, citada pelo jornal Crux.
Mas as críticas sucederam-se e Georges-Louis Bouchez, líder do partido de centro-direita MR, que integra a coligação governamental da Bélgica, afirmou mesmo numa publicação no X que o Cristo de pano de Geyer “de forma alguma representa o espírito do Natal”, comparando as figuras de Maria, José e Jesus a “zombies”.
O trabalho de Geyer foi selecionado por representantes da diocese e do município de Bruxelas, à semelhança do que acontece todos os anos. A artista, assumidamente católica, considera que as críticas em torno do mesmo acabaram por se tornar positivas, pois deram mais destaque ao seu presépio e contribuíram para atrair ainda mais visitantes à praça.
No ano passado, foram mais de quatro milhões os que visitaram o mercado de Natal da Grand-Place, com a sua árvore de Natal gigante e o seu artístico presépio. Com um novo menino Jesus já colocado no lugar do anterior, Geyer aguarda agora por janeiro para confirmar se os números lhe darão ou não razão.










