
Michael Rothwell, diretor do Museu Judaico do Porto, com uma das turmas que visitou o espaço nesta quinta-feira. Foto © Museu Judaico do Porto
Cerca de mil adolescentes de escolas de norte a sul de Portugal estiveram esta quinta-feira, 5 de dezembro, no Museu Judaico do Porto, para recordar – e compreender melhor – o que aconteceu nesse mesmo dia, mas do ano 1496, quando o rei D. Manuel assinou o édito de expulsão que proibia o judaísmo no país.
Acompanhados pelo presidente da Comunidade Judaica do Porto, Gabriel Senderowicz, os jovens estudantes começaram por descobrir que “os judeus desempenharam um papel da maior importância na fundação, administração e desenvolvimento do reino, dada a sua capacidade científica, cultural, comercial, económica e o domínio de outros idiomas”. O responsável explicou que isto “contribuiu grandemente para as relações diplomáticas de Portugal, para a obtenção de informações privilegiadas noutros reinos e obviamente para as descobertas pelo mundo que criaram um Império imenso”.
Isso mesmo comprovam os inúmeros objetos que os adolescentes puderam observar no museu, como alfaias judaicas, pinturas sobre a fundação e o desenvolvimento de Portugal, ou a epígrafe de uma sinagoga do século XIV.

Esta meguilá, um pergaminho manuscrito, é um dos objetos raros expostos no museu que os jovens puderam observar. Foto © Mazal News
Um objeto raro exposto desde o ano passado, a “Meguilat Purim Sebastiano”, mostra o papel relevante da comunidade judaica marroquina e de dois cristãos-novos portugueses na época de D. Sebastião. Quando, no século XVI, o rei português tentou conquistar territórios africanos, torná-los cristãos e converter os judeus de volta ao catolicismo, Portugal foi derrotado e os judeus escaparam da conversão. Então, os Shoftim marroquinos, os juízes mais antigos da geração, criaram um Purim especial, ou celebração, em homenagem a tais eventos milagrosos, que foram registrados numa meguilá, um pergaminho manuscrito. Século após século, a leitura da meguilá era feita nas sinagogas e nas casas dos judeus marroquinos. Até hoje, em Tânger, Tétuan e outras partes do mundo que abrigam judeus de origem marroquina, esta data é comemorada.
O diretor do Museu, Michael Rothwell, que também acompanhou as visitas, mostrou por sua vez que o édito manuelino prejudicou não só os judeus, mas também Portugal. “O édito fez com que os judeus começassem a abandonar o reino, a enriquecer outras potências concorrentes e a fazer alianças que levaram mesmo à perda da independência de Portugal, em 1580”, explicou.
Depois, no cinema do Museu, os jovens assistiram aos filmes A Luz de Judá, O Genocídio de Lisboa e 1618, que retratam os efeitos imediatos do édito de D. Manuel na comunidade judaica portuguesa, o massacre de milhares de judeus em Lisboa e a ação da Inquisição na cidade do Porto.
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