(A propósito de Marcus J. Borg y John Dominic Crossan, La Primera Navidad – lo que los evangelios enseñan realmente acerca del nacimiento de Jesús)
Depois da Semana Santa (semana Pascal), o Natal é o segundo tempo mais sagrado do ano cristão. Na cultura ocidental contemporânea, e inclusivamente para muitos cristãos, a comemoração do Nascimento supera a da Páscoa (o que é questionador…).
Dado o peso do Natal, o nosso modo de entender os relatos do Nascimento de Jesus tem importância. A ideia que temos desses relatos do Natal é muito sentimental. Por exemplo, em lado nenhum está escrito que existem três reis magos… Mateus 2, 1.7: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns/os magos vindos do Oriente. E perguntaram:…” Lucas fala da actualização de um recenseamento geral muito provavelmente para poder aumentar a carga fiscal… e agradar ao FMI da época, ou seja, para agradar a Roma (Herodes tinha a cabeça a prémio…): “Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseado todo o Império romano…” Mas para Lucas 2, 1 nunca houve nem magos, nem ouro, nem incenso, nem mirra… – nunca houve “presentes” que, a sê-los, seriam demasiado sádicos: simbolizam um rei que será assassinado! Convenhamos que nada disto seria bem recebido por uma mãe acabada de dar à luz… Se é com este vaticínio na boca que os magos vêm “adorar o menino” (Mateus 2, 11), vou ali e já venho.
Acontece que os relatos do Nascimento de Jesus não são meramente sentimentais. Os relatos são ao mesmo tempo pessoais e políticos. Falam de transformação pessoal e política. Situados no contexto do século I, são visões globais e apaixonadas por uma outra maneira de ver a vida e de viver as nossas vidas. Levam a tribunal a vida actual corrente, o status quo da maioria dos tempos e lugares. Causam tensão e dificuldade. Confrontam aquilo a que chamamos a “normalidade da civilização”: o modo como a maioria das sociedades, a maioria das culturas humanas, estão e estiveram organizadas até agora.
Há, nos relatos, um questionamento político e um significado político.
É verdade que os relatos não são “apenas” políticos, mas também profundamente pessoais. Falam, e falam com força, dos nossos anseios mais profundos, das promessas e das paixões de Deus. São relatos religiosos na medida em que a Bíblia, no seu conjunto, é religiosa: a vida com o Deus de Israel, com o Deus de Jesus, é uma relação pessoal e política. Os significados pessoais e políticos podem ser distinguíveis entre si, mas não é possível separá-los sem trair a uns e a outros.
Estes relatos falam de nós, das nossas trevas, do cumprimento dos nossos desejos mais profundos e do nascimento de Cristo no nosso interior. Falam também de um tipo de mundo diferente. O sonho de Deus para nós não é apenas paz de espírito, mas paz na terra.
La Primera Navidad – lo que los evangelios enseñan realmente acerca del nacimiento de Jesús, de Marcus J. Borg y John Dominic Crossan
ed. Verbo Divino, Navarra 2009
(edição norte-americana: The First Christmas – What the Gospels Really Teach About Jesus’ Birth)










