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Um padre pode ser substituído por Inteligência Artificial?

| 25/01/2024

Imagem criada por Alberto Teixeira com recurso a Inteligência Artificial (IA).

“É uma questão de tempo” – respondeu um jovem a quem fiz a pergunta que deixo no título.

A convicção do jovem não se refere tanto à função de pastor de uma comunidade, mas tão só a dados que os sistemas de IA recolhem na rede e, em alguns casos, ao algoritmo que os combina para criar novos cenários, ideias ou até diferentes análises dos assuntos em tratamento, respondendo ao utilizador.

À IA falta experiência humana das emoções e capacidade de empatia, que nesta última substitui pela informação procurada, recolhida e fornecida por cada indivíduo na rede.

Os presbíteros cristãos devem estabelecer com os seus fiéis ligações a nível pessoal e emocional, congregando-os em comunidade, onde partilhem a espiritualidade, as emoções e a vida em comunidade; criando instrumentos que ajudem os seus fiéis, especialmente os seus colaboradores na liderança dos diferentes grupos, a planear, orientar e avaliar o que acontece na comunidade, ajudando todos a integrar as suas experiências individuais no conjunto, estimulando a participação de todos no contexto das vivências do quotidiano.

Se alguém procura simplesmente informação sobre o cristianismo, já existem milhares de sites, para todas as diferenças, que cada ministro pode colocar ao serviço da sua comunidade ou de futuros aderentes.

A formação é outro aspecto largamente em uso, bem como os grupos de meditação, acção e até mosteiros virtuais para aqueles que querem viver todos os dias a regra de uma comunidade.

Os recursos já são imensos e à medida que a programação em IA vai sendo acessível estamos a assistir à transformação desses mesmos recursos para sistemas que seguem as nossas preferências manifestadas.

Malgrado a anomia dos ministros cristãos que continuam a cumprir a sua missão quase em exclusivo por ritos e cerimónias, assistimos a muitos fiéis e possíveis candidatos que se distanciam das comunidades e igrejas cristãs, mas que encontram nas redes sociais muito maior acolhimento; no entanto, deparamos com informação muitas vezes pouco fiável e precisa, em particular da teologia, nas disciplinas da Bíblia, cristologia, sistemática, apologética e liturgia.

Este é um assunto que devia merecer maior atenção, quer pelo clero existente quer na formação de futuros candidatos.

A inclusão da tecnologia e da IA, através da capacidade das máquinas ou sistemas responderem a perguntas ou realizarem tarefas que exigem inteligência humana e conhecimentos especializados, já em uso em muitos campos das sociedades, é uma ferramenta útil, que pode aproximar os padres das pessoas, auxiliando-o no seu desempenho e que só os afastará se não se derem ao trabalho.

A possibilidade de criar máquinas que respondam a questões éticas, morais e teológicas é uma realidade, mas dependerá da forma como o clero possa responder a estes desafios, para os quais, como nos primeiros tempos do cristianismo, tem de andar mais na rua e entre as pessoas e deixar o púlpito.

 

Alberto Teixeira é cristão ortodoxo.

 

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