Músicas pela paz (2)

Um poema antiguerra no ocaso da União Soviética

| 19 Abr 2022

O muro Tsoi em Arbat, Moscovo, com inscrições de fãs dos Kino. Viktor Tsoi era o vocalista da banda. Foto © Superchilum, CC BY-SA 3.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0>, via Wikimedia Commons.

O muro Tsoi em Arbat, Moscovo, com inscrições de fãs dos Kino. Viktor Tsoi era o vocalista da banda. Foto © Superchilum, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

 

Em 1988, com as tropas da URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) ainda no Afeganistão e aproveitando a abertura cultural promovida por Gorbatchov, um grupo de rock de nome Kino lançou um álbum com o título Gruppa Krovi, que significa “Grupo sanguíneo”. O disco foi um sucesso e rapidamente chegou ao Ocidente. A banda granjeou uma grande popularidade junto sobretudo da população mais jovem da URSS, mas conheceu uma interrupção abrupta devido à morte prematura do seu vocalista, Viktor Tsoi, num acidente de viação em 1990, antes ainda do colapso da União Soviética.

A música que dá nome ao álbum possui um cunho antibelicista, na voz de um soldado mobilizado. Talvez por isso, as suas páginas de reprodução online, estejam a receber numerosos comentários relativos ao atual conflito na Ucrânia. O 7MARGENS publica a seguir uma possível tradução e, para quem aprecia este género musical, um vídeo de reprodução.

Um lugar quente
Mas as ruas esperam as impressões dos nossos pés
Poeira das estrelas sobre as botas
Uma poltrona macia, um cobertor xadrez
Um gatilho que não foi puxado na hora certa
Um dia ensolarado nos sonhos deslumbrantes
O tipo sanguíneo está na manga
O meu número de registo está na manga
Deseja-me sorte na batalha, deseja
Que eu não fique nesse mato
Que eu não fique nesse mato
Deseja-me sorte, deseja-me sorte

O grupo Kino. Viktor Tsoi é o segundo à esquerda. Foto: Direitos reservados.

O grupo Kino. Viktor Tsoi é o segundo à esquerda. Foto: Direitos reservados.

E há como pagar, mas eu não quero
A vitória a qualquer preço
Eu não quero colocar os pés no peito de ninguém
Eu queria ficar contigo
Simplesmente ficar contigo
Mas uma estrela no alto do céu me chama para seguir o caminho
O tipo sanguíneo está na manga
Meu número de registo está na manga
Deseja-me sorte na batalha, deseja
Que eu não fique nesse mato
Que eu não fique nesse mato
Deseja-me sorte, deseja-me sorte

 

Sobre a criação musical contra a guerra na Ucrânia, o 7MARGENS publicou já um texto onde se fala de uma música dos Pink Floyd e de uma outra de Pedro Abrunhosa, bem como da nova versão de Russians, de Sting.

Com essa inspiração, e sem qualquer intuito antológico ou preocupação de regularidade, o 7MARGENS chamará a atenção, nos próximos tempos, para músicas que traduzam a urgência da paz entre a Rússia e a Ucrânia, mas também em relação a outras guerras e conflitos que persistem no mundo. 

Esta chamada de atenção é aberta à participação dos leitores e leitoras do 7MARGENS: quem assim o desejar pode sugerir músicas ou partes de obras musicais que possam traduzir a importância da paz. Podem fazê-lo acompanhando a sugestão de algum pequeno texto. 

 

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