
“Falou sobre a procura pelo mais precioso, não em termos de riqueza material, mas sim em termos daquilo que fazemos com esta vida humana.” Foto: Oliver Schlotfeldt / Pexels
Apareceu na Ericeira, no Mosteiro Sumedharama, de passagem para Londres. De vestes simples e poucas palavras, timidamente a perguntar se podia entrar. Foi a custo, pergunta a pergunta que fomos descobrindo: sim estava a estudar, sim no Reino Unido, mais precisamente um pós-doutoramento, mais precisamente em Cambridge. Estávamos em 2022. Israelita de origem, já se desembaraçava em português, apenas porque tinha tido uma namorada portuguesa.
Mencionou a prática dos ensinamentos budistas parecendo considerá-los como uma maior descoberta que todas as suas descobertas científicas até ali, em meio académico tão privilegiado.
Falou sobre a procura pelo mais precioso, não em termos de riqueza material, mas sim em termos daquilo que fazemos com esta vida humana. A química e a medicina pareciam-lhe bons veículos de ajuda ao próximo. Mas procurava o mais difícil, e, por conseguinte, o mais raro. Daí o mais precioso, verdadeiramente.
Deixei-o algures em Lisboa, para onde me tinha pedido boleia. Há pouco tempo recebi notícias. «Uma amiga, de um amigo, de outro amigo» vieram contar: largou a academia e ordenou-se monge na tradição Theravada da Floresta, na Tailândia.
Margarida Rocha e Melo é jornalista agora dedicada ao ensino; budista, mantém o respeito pela sua herança cristã, esperando poder contribuir para o encontro de religiões, de mentes e de seres humanos.










