Um selo em tecido artesanal para homenagear Gandhi e a não-violência

| 6 Fev 20

O bloco filatélico, impresso em khadi, o tecido artesanal de fibra natural que Gandhi fiava na sua charkha.

Os Correios de Portugal lançaram uma emissão filatélica que inclui um selo em khadi, o tecido artesanal de fibra natural que o Mahatma Gandhi fiava na sua charkha e que utilizava para as suas vestes. Portugal e a Índia são, até hoje, os únicos países do mundo que utilizaram este material na impressão de selos, afirmam os CTT.

A emissão filatélica pretende assinalar os 150 anos do nascimento de Gandhi, que passaram em Outubro; o aniversário do assassinato (em 1948) do líder independentista não-violento ocorreu no dia 30 de Janeiro.

Na pagela de apresentação da emissão filatélica – que inclui um selo de 0,91 euros, um bloco filatélico de 3 euros e um envelope com marca de primeiro dia – a embaixadora da Índia em Portugal, K. Nandini Singla, escreve, sobre Gandhi: “Ele acreditava que, se cada um de nós assumisse a sua própria responsabilidade pelo seu desenvolvimento pessoal e respondesse com sabedoria e em consciência mesmo às situações mais injustas, a verdade, a paz e o amor prevaleceriam.”

O apóstolo indiano da não-violência, acrescenta a embaixadora, “defendeu sempre a fraternidade universal e não só viveu estes valores universais como também os integrou em todas as áreas da vida, incluindo na política”. Gandi, diz, advogava “o conceito do Estado ideal (Ram Rajya), lutando pela verdade e a justiça através da força espiritual (Satyagraha), edificando os mais pobres (Sarvodaya), e promovendo a autossuficiência (Swadeshi), a participação do povo nas mudanças sociais (Jan Bhagidari) e o desenvolvimento ecológico”.

Defensor convicto do Ahinsa, princípio que assume a atitude de não cometer violência contra outros seres, Gandhi promoveu uma série de iniciativas pacíficas para conseguir a independência da então colónia britânica. Uma delas, a Marcha do Sal, em 1930, contra o imposto que os ingleses cobravam sobre o sal: durante mais de 400 quilómetros, milhares de pessoas desafiaram o poder colonial marchando em direcção ao mar. Doze anos depois, a sua reivindicação da independência levou-o a promover mais um conjunto de iniciativas, incluindo vários jejuns.

“A diferença entre o que fazemos e o que somos capazes de fazer seria suficiente para resolver a maioria dos problemas do mundo”, dizia o Mahatma (“grande alma”), citado pela embaixadora. “A satisfação reside no esforço, não no resultado obtido; o esforço total é plena vitória.

 

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