Um SOS Líbano de todo o mundo com ajudas para a população de Beirute

| 6 Ago 20

explosoes beirute libano solidariedade, Foto_ Caritas Libano

A Cáritas Líbano reagiu no primeiro minuto e, apesar de a sua própria sede ter sofrido danos, deu início à distribuição de bens alimentares na cidade. Foto © Cáritas Líbano.

 

Da União Europeia à Rússia, passando pela Turquia, Kuwait, e até pelo “rival” Israel, a lista de países e instituições que já enviaram ou estão prestes a enviar ajuda para o Líbano, na sequência das violentas explosões que deixaram a capital parcialmente destruída, não para de aumentar.

O presidente francês, Emmanuel Macron, foi dos primeiros a reagir, garantindo, ainda terça-feira à noite, o envio de 55 elementos de forças de segurança e seis toneladas de equipamento de saúde. Dez médicos de unidades de emergência francesas também voarão para Beirute, uma vez que os hospitais da capital libanesa atingiram o limite das suas capacidades com o número elevado de feridos.

O Ministério da Saúde do Kuwait também já fez chegar à capital libanesa ajuda médica e outros bens essenciais. As provisões foram transportadas de avião militar esta quarta-feira de manhã, 5 de agosto, informou a Rádio Renascença.

A Rússia vai enviar cinco aviões com equipamento, um hospital de campanha e pessoal médico, adiantou o Governo russo, enquanto a União Europeia (UE) anunciou ter ativado o Mecanismo de Proteção Civil comunitário para enviar mais de 100 bombeiros, veículos, cães e equipamento especializados para missões de resgate, que vão trabalhar no local do desastre a apoiar nas buscas. O Governo português já manifestou total disponibilidade para apoiar este mecanismo, com o envio de equipas do INEM.

O comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Duarte Costa, assegurou que Portugal pode também enviar até quatro equipas especializadas em emergência médica, análise do ar e atividades em estruturas colapsadas. A possibilidade de envio de material está igualmente a ser avaliada.

Até Israel, que não tem relações diplomáticas com o Líbano e num primeiro momento foi apontado como suspeito de envolvimento na origem das explosões, se juntou à lista de países dispostos a enviar ajuda humanitária, disponibilizando os hospitais mais próximos da fronteira com o Líbano para receber feridos.

 

Patriarca maronita propõe fundo de ajuda administrado pela ONU

Também diversas instituições de solidariedade estão já fortemente empenhadas em apoiar a população libanesa, em particular a Cáritas e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

A Cáritas Líbano começou a agir desde o primeiro minuto e, apesar de a sua própria sede ter sofrido danos, deu início à distribuição de bens alimentares na cidade e enviou jovens voluntários para ajudar a remover detritos das casas que continuam habitáveis.

Colaborando ativamente há muitos anos com a Cáritas Líbano, as Cáritas italiana e suíça também já estão no terreno, tendo disponibilizado perto de 93 mil euros e lançado uma campanha online para recolher mais fundos.

A Fundação AIS anunciou por seu lado que irá “enviar de imediato, para Beirute, uma ajuda de emergência no valor de 250 mil euros para aquisição de cabazes alimentares”.

Enquanto as ajudas se iam somando, o patriarca maronita Bechara Boutros Rai, presidente da Conferência de Patriarcas e Bispos Católicos do Líbano, escrevia um “Apelo aos Países do Mundo”, assumindo que a Igreja, apesar de ter criado “uma rede de socorro” em todo o território libanês, “se depara com um novo grande compromisso que não é capaz de assumir sozinha, apesar de ser totalmente solidária com os aflitos, as famílias das vítimas, os feridos e os desalojados, que está pronta para acolher nas suas próprias estruturas”.

O cardeal agradece “a todos os Estados que expressaram a sua vontade de ajudar Beirute” e dirige-se a “outros países irmãos e amigos, os grandes Estados, bem como às Nações Unidas”, pedindo-lhes que se mobilizem “para fornecer ajudas imediatas necessárias para salvar a cidade de Beirute”, e propondo concretamente a criação de um “fundo controlado pelas Nações Unidas” para administrar as ajudas.

“Sei que vocês amam o Líbano e que responderão a este apelo”, conclui o patriarca maronita, esperançoso. “Sei o quanto vocês querem que o Líbano recupere seu papel histórico ao serviço da humanidade, da democracia e da paz no Médio Oriente e no mundo.”

 

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