Um “ultimato” e não uma agenda de paz, diz o CMI sobre o plano para Israel-Palestina

| 30 Jan 20

Jerusalém, a Cidade Velha, em Outubro de 2018. Foto © Albin Hillert/WCC

 

Um “ultimato”, não um plano de paz. O secretário-geral do Conselho Mundial (ou Ecuménico) de Igrejas (CMI), Olav Fykse Tveit, lançou um apelo no sentido de a comunidade internacional não apoiar o plano apresentado pelo Presidente dos Estados Unidos e pelo primeiro-ministro para a criação de dois estados independentes, Israel e Palestina, mas em que este último teria uma soberania limitada e perderia alguns dos territórios ocupados por Israel.

Tveit considera o plano como um “ultimato”, mais do que uma proposta de solução “real, sustentável e justa”. “Em última análise, qualquer ‘solução’ que não se baseie na justiça e num acordo negociado será uma imposição e um instrumento de opressão”, considera o secretário-geral do CMI.

O plano não teve praticamente qualquer participação do lado palestino, e foi já rejeitado pela Autoridade Palestiniana.

“O CMI insta os membros da comunidade internacional a que não apoiem esta proposta ou reconhecer a sua concretização, a não ser e até que um plano melhor seja negociado e acordado com representantes do povo palestiniano e em conformidade com os princípios do direito internacional sobre ocupação beligerante e direitos humanos”, declarou Olav Fykse Tveit, citado no serviço de notícias do CMI.

A proposta, acrescenta este responsável, segue praticamente os objectivos que o Estado israelita defende desde há anos. Apesar de o CMI continuar a estudar o documento, Tveit diz que ele prevê que os territórios atribuídos à Palestina “pequenos enclaves isolados sem contiguidade territorial, separados por colonatos israelita e ligados apenas por corredores submetidos a controlo israelita”.

 

Igrejas da região sonham com riqueza da diversidade

O plano e a reacção de Tveit em nome do CMI surgem uma semana depois de uma reunião do comité executivo do Conselho de Igrejas do Médio Oriente, num período cheio de acontecimentos dolorosos e sofrimentos que atormentam os nossos países”, como dizia o comunicado.

O comité executivo do Conselho de Igrejas do Médio Oriente (MECC), no final da reunião no Chipre. Janeiro 2019. Foto MECC/Direitos reservados

No encontro, que decorreu no Chipre, estavam representantes oriundos de igrejas católicas, protestantes, ortodoxas e de ritos antigos do Chipre, Egipto, Síria, Líbano, Iraque, Jordânia e Palestina. Embora não se referisse especificamente ao conflito israelo-palestiniano, a síntese final do encontro apontava a necessidade de oração e acção em regiões problemáticas, e também a revisão de leis. “Há uma necessidade urgente de propor um caminho que sublinhe a compreensão da unidade na diversidade, considerando que a diversidade é uma riqueza, longe das exortações sectárias e facciosas e de todas as formas de intolerância”, lê-se no texto.

O comité executivo manifestou-se também preocupado com “a pobreza e a marginalização que sofrem alguns sectores da sociedade da região” desafia todos os estados e instituições eclesiais a “elaborar políticas sustentáveis ​​de desenvolvimento que garantam uma vida decente a todo o ser humano e contribuam para a justiça social e a prosperidade económica”.

No final, a declaração, citada também na página de notícias do CMI, apela aos cristãos do Médio Oriente a que mantenham as suas terras, a sua herança e a sua identidade com fé e esperança. “Isso implica a solidariedade dos líderes e uma cooperação sólida para garantir um futuro” onde a diversidade seja um “modelo de convivência”.

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